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“O rabo não balança o cachorro”

Alguns analistas do mercado acionário têm uma percepção equivocada de que o empréstimo de papéis “joga o mercado para baixo”. É fácil identificar a origem da interpretação de que o BTC exerce uma pressão de baixa sobre a Bolsa: quem toma um papel emprestado geralmente aposta na queda do preço, para recomprá-lo mais tarde e ficar com a diferença na devolução ao seu dono original. Esta é, de fato, a operação mais clássica deste mercado. Mas não é a única (são comuns arbitragens entre ações) e nem garante sozinha uma tendência de baixa ou de alta no mercado à vista – que é muito, mas muito maior, que o do BTC.

Os volumes negociados no BTC ainda são muito pequenos em relação ao mercado principal, onde são movimentados de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões por dia. Os aluguéis envolvem menos de 1% dos negócios na Bovespa. Em relação ao estoque de ações do mercado, o valor dos papéis negociados no BTC equivale a 0,34% do total e a 0,23% da capitalização bursátil das empresas do Ibovespa. “Dizer que o BTC joga a Bolsa para baixo é como afirmar que o rabo está balançando o cachorro”, compara Francisco Carlos Gomes, diretor de Controle da CBLC.

Mecanismos operacionais impedem a manipulação dos preços. A CBLC monitora o mercado, exige dos tomadores garantias superiores ao valor do lote emprestado e impõe limites ao volume das operações de todos os papéis negociados. “Fazemos supervisão de risco e impedimos que indivíduos ou grupos concentrem os negócios com determinadas ações”, afirma Wagner Anacleto, gerente de Controle de Risco da CBLC.