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Toque feminino na sala de controle
Adriana, Luciene, Kelly, Cláudia, Sandra e Agenor: movimento de R$ 900 milhões por dia.
Cinco analistas monitoram toda a liquidação dos negócios na Bovespa

O piloto liga para a sala de controle, confirma sua posição, observa os horários da janela e recebe as instruções finais para a chegada segura. Do outro lado da linha, uma voz feminina confere os números em computadores de última geração e certifica-se que nada irá dar errado. Diariamente, milhares de pessoas dependem da exatidão das informações do controle e da precisão dos pilotos, mas ignoram toda essa movimentação e só dormem tranqüilas porque confiam no sistema e em sua monitoração. A cena, que poderia passar em algum aeroporto, acontece na sede da CBLC, no centro histórico de São Paulo.

É no sexto andar do prédio da Bovespa, na rua XV de Novembro, que fica a sala de controle de compensação e liquidação da CBLC. As cinco analistas de monitoração - Sandra Aparecida Soriano Coelho, Adriana Valéria Ribeira, Luciene Patrícia Canoa de Godoy, Kelly Cristiane Ramos e Cláudia Morales Ferreira Miranda - supervisionam a finalização dos negócios fechados na Bolsa. Nada escapa da vigilância desse time para que ações, debêntures e cotas de fundos imobiliários troquem de mãos corretamente e os recursos financeiros passem de um cofre a outro. São elas que atendem os pilotos de reserva, como são chamados os controladores das contas das instituições financeiras junto ao Banco Central, no âmbito do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).

Com a entrada do SPB, no ano passado, os pagamentos passaram a ser feitos em tempo real e de forma irrevogável pelo Sistema de Transferência de Reservas do BC. A CBLC, na função de contraparte central garantidora do mercado acionário, está ligada à Rede do Sistema Financeiro Nacional. As corretoras são representadas pelos agentes de compensação, que podem ser corretoras ou bancos. Como todas as transações na Bovespa passam pela CBLC, a clearing faz e recebe os pagamentos das instituições diariamente pelo saldo líquido das operações. "Se uma corretora compra 100 e vende 90, fazemos a conciliação e ela só paga 10", explica Agenor Silva Júnior, gerente de Liquidação e Monitoração. As cinco analistas, chefiadas por ele, garantem o bom funcionamento desse mercado. As flores e doces que recebem freqüentemente mostram o quanto são queridas pelos colegas.

Além de Agenor, poucas pessoas, como diretores e gerentes, têm acesso à sala de controle. Fechadas numa espécie de "aquário", Sandra, Dri, Ké, Lu e Clau zelam para que o sistema da CBLC funcione sempre como um relógio. Na prática, isso significar fechar com saldo zero, diariamente, a conta de reservas da clearing junto ao BC, pagando todo mundo que tem a receber e transferindo os títulos dos vendedores aos compradores na custódia no prazo regulamentar (em D+3, ou seja, três dias após a negociação). "O mais importante é não sair nada errado", afirma Sandra, a analista sênior da turma. "Como mexemos com quantias elevadas, não podemos ter falhas", diz Luciene.

Diariamente, passam pelo crivo da sala de controle pouco mais de R$ 900 milhões brutos, em média. É a soma dos volumes negociados em ações e debêntures. O saldo líquido das operações, descontadas as compensações de valores entre as instituições, tem crescido e chegou a R$ 102,7 milhões em maio. A média mensal neste ano está em R$ 96,5 milhões. As analistas observam o cumprimento dos rígidos horários de liquidação. Qualquer minuto faz diferença. "Se surgem problemas, temos de agir rapidamente", diz Kelly.

Às 10h00, os investidores que venderam papéis três dias antes têm de entregá-los para a transferência aos compradores. Às 10h30, a CBLC informa as corretoras sobre o status das negociações individuais e confirmam o saldo líquido das instituições naquele dia. Até as 15h30, os bancos liquidantes recebem as informações sobre suas posições e, quando há saldo a pagar, ordenam a transferência dos recursos para a CBLC. O ciclo se fecha 25 minutos depois (é a "janela da liquidação"). Às 15h55, a CBLC entrega os títulos aos compradores e ordena débitos ou créditos.