Empréstimo compulsório de ações
diminui ainda mais as falhas de liquidação
O Banco de Títulos (BTC) é a mais nova ferramenta da
CBLC para reduzir as falhas na entrega de ações negociadas
à vista na Bovespa. A partir de 7 de novembro, começa
o empréstimo compulsório automático no BTC: se
alguém deixar de entregar uma ação na data prevista,
a CBLC poderá contratar um empréstimo em nome do vendedor
no BTC para, assim, entregar o papel ao comprador. Para isso ocorrer,
basta que haja oferta correspondente no BTC.
Antigamente, até 2% dos negócios na Bovespa não
eram liquidados no prazo normal, na manhã do terceiro dia útil
(D+3). Desde 1996, o sistema de aluguel de ações reduziu
esse volume para 0,5% a 1%. Quem vende e não entrega na data
marcada pode honrar a operação alugando ações,
de forma voluntária, no BTC. Agora, com o empréstimo
compulsório, o nível de falhas na liquidação
cairá ainda mais, diz Wagner Anacleto, gerente de Riscos da
CBLC. “Vai diminuir o risco de os compradores não receberem
os ativos”, diz. Mas não há garantias que 100%
dos negócios serão liquidados após a entrada
do novo mecanismo. “É preciso haver oferta, no BTC, das
ações não entregues no prazo estipulado”,
afirma Anacleto.
Se não houver disponibilidade, o processo de liquidação
segue o curso habitual de atrasos. “Não há mudanças
no modelo de liquidação de renda variável”,
diz Agenor Silva Júnior, gerente de Liquidação
e Monitoração da CBLC. Quando os ativos não entregues
até as 10h do D+3 estiverem em oferta no BTC, um algoritmo
de sorteio irá estabelecer as prioridades de liquidação
pelo mecanismo compulsório. O vendedor inadimplente pagará
um emolumento de 0,5% ao ano pela operação. É
o dobro do cobrado no aluguel voluntário (0,25%), que pode
ser feito até pouco antes das 10h da manhã. Só
serão aceitas as ofertas com prazo mínimo de nove dias
úteis, possibilidade de reversão a qualquer momento
e sem período de carência. A taxa máxima paga
ao doador será de até 150% da taxa média divulgada
mensalmente pela CBLC. |