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Suzano populariza emissão
Empresa usa corretoras e CBLC para ampliar base de acionistas

Nogueira Batista, da Suzano: O sucesso da nossa operação abriu um novo filão para as corretoras”
A Companhia Suzano de Papel e Celulose deu um grande passo para melhorar a liquidez de suas ações. A empresa realizou, em novembro, uma inédita oferta pública no mercado acionário. Usou bancos e corretoras de valores simultaneamente para ampliar a distribuição junto aos investidores individuais. As corretoras foram remuneradas conforme a adesão de seus clientes à emissão, que combinou oferta primária e secundária de papéis. Deu certo: a oferta inicial (de 35 milhões de ações preferenciais a R$ 10,00 cada) foi ampliada e atingiu um volume de R$ 391 milhões.

Quase mil investidores, entre pessoas físicas, clubes de investimento e pessoas jurídicas não-financeiras, compraram ações. Destes, somente cerca de 70 já tinham papéis da companhia. “Quase dobramos nossa base de acionistas”, comemora o vice-presidente da Suzano Holding, João Nogueira Batista. Os clientes das corretoras responderam por compras de R$ 25,6 milhões (6,5% do total). A participação de pessoas físicas foi surpreendente. “Nossa emissão anterior, sem as corretoras, havia sido três vezes maior. Porém, apenas 200 investidores de varejo participaram, com a compra de somente R$ 5 milhões”, compara o executivo.

A oferta pública da Suzano foi coordenada pelos bancos UBS e Unibanco. Os coordenadores contratados foram CSFB, Pactual e Santander. A presença de 17 corretoras no pool de vendedores foi viabilizada pelo Sistema de Distribuição de Varejo da CBLC, que foi contratada para centralizar a operação, fazer a liquidação bruta das vendas (atacado e varejo) e a custódia dos papéis. Outras companhias, como Vale do Rio Doce, Sabesp, Marcopolo e Net, já utilizaram a CBLC para distribuir suas ações. No caso da Suzano, as corretoras foram incentivadas a participar de uma maneira inédita: a comissão de distribuição foi variável (de 0,2% a 0,5%), conforme o número de clientes conquistados. “Fizemos isso para estimular a pulverização”, diz João Torres, gerente de Mercado de Capitais do Unibanco.

Segundo os executivos envolvidos, a participação da “clearing” foi fundamental para o sucesso da operação. “A CBLC deu todo o suporte necessário para coordenarmos o pool de varejo”, diz Torres. “Só a CBLC tem capacidade para organizar tantas corretoras”, afirma Bruno Pena, diretor da corretora do Banco UBS. Ao responder pela liquidação e custódia dos papéis, a CBLC agrega credibilidade ao processo. “Isso é importante do ponto de vista dos investidores estrangeiros”, diz Pena. Os estrangeiros responderam por cerca de 50% das compras das ações da Suzano. Para a companhia, todos saíram ganhando. “O sucesso da nossa operação abriu um novo filão para as corretoras”, diz Nogueira Batista.