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Custódia
Boas perspectivas para 2004
Com o crescimento de 3% a 4% do PIB, as empresas precisarão do mercado de capitais para financiar boa parte dos investimentos

Luiz Eduardo Zago, diretor de Custódia do Itaú: "Será um bom ano para o mercado como um todo".
O mercado de custódia teve um ótimo desempenho em 2003 e deve continuar crescendo este ano. As sementes para mais um bom exercício estão plantadas. Ainda prevalecem os fundamentos econômicos que estimularam a alta da Bolsa no ano passado, como, por exemplo, os juros em tendência de queda e a estabilidade da inflação, do câmbio, das finanças públicas e das contas externas do país. Com uma diferença: a volta do crescimento econômico, depois de um ano de estagnação. Em 2004, o Produto Interno Bruto (PIB) do país deverá aumentar entre 3% e 4%, segundo as previsões das instituições financeiras. “Vejo o ano de 2004 com otimismo”, diz Gilberto Mifano, diretor geral da CBLC.

Segundo Mifano, as empresas precisarão investir para aproveitar o novo cenário de crescimento. E o mercado de capitais poderá ser usado para financiar boa parte desses investimentos. A CBLC, além de oferecer, na qualidade de depositária, custódia de títulos de renda fixa e variável, oferece ainda serviços diversos para as companhias emissoras, incluindo o controle da distribuição de papéis junto ao mercado de varejo. “Estamos prontos para atender à nova demanda”, afirma o diretor geral da CBLC.

A oferta de novos produtos às empresas também deverá impulsionar o crescimento da custódia neste ano, afirma Luiz Eduardo Zago, diretor de Custódia do Banco Itaú e conselheiro suplente da CBLC. Entre eles, os fundos de recebíveis devem ter grande destaque. “Esses fundos terão uma captação muito grande em 2004”, prevê. Ele estima uma movimentação de recursos da ordem de R$ 6 bilhões. Dos R$ 2,3 bilhões captados em 2003, pelo menos R$ 800 milhões foram para o mercado (o restante foi distribuição exclusiva), estima Zago. Se a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizar a distribuição desses fundos a investidores de qualquer tipo (hoje são restritos a investidores qualificados), a alta será ainda maior, prevê.

O mercado acionário, para o diretor do Itaú, ainda tem fôlego para crescer em 2004. “Ainda há espaço para crescimento. A Bolsa atingiu um novo patamar de negociação, acima de R$ 1 bilhão por dia. Este será um ano bom para o mercado como um todo”, afirma Zago.

Do ponto de vista da CBLC, o maior desafio deste ano será apoiar ainda mais a indústria de distribuição, popularizando as emissões de papéis das empresas. Normalmente, as companhias abertas fazem emissões “carimbadas”, isto é, com demanda definida entre os tomadores institucionais. Desde o ano passado, algumas emissões – como a da Companhia Suzano de Papel e Celulose – contaram com a participação da CBLC e das corretoras de varejo, ampliando os horizontes. Os investimentos da CBLC em sistemas de liquidação e custódia desses papéis irão incentivar o mercado secundário, prevê Mifano. “Nossos sistemas são ágeis, flexíveis e dão segurança aos investidores”, afirma.

O ano de 2003 foi o melhor da história da CBLC. O volume de títulos depositados cresceu para R$ 324 bilhões. Este crescimento reflete, principalmente, a forte valorização das ações: no período, o Ibovespa subiu 97,3% e reverteu as perdas de 2002, quando o índice caiu 17,0%.