Eventos de custódia, como proventos em dinheiro e juros, crescem 35,3% em 2003
Os investidores do mercado de capitais e as empresas abertas receberam quase R$ 10 bilhões em 2003 por conta de rendimentos e demais pagamentos de títulos custodiados pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). A clearing repassou, a título de distribuição de dividendos, juros, resgates e subscrições, exatos R$ 9.988.707.483,86. Com isso, o total de pagamentos realizados pela CBLC ao mercado cresceu 35,3% em relação a 2002 (veja quadro).
O aumento dos eventos em dinheiro mostra a crescente importância dos dividendos tanto
para as empresas abertas, que os utilizam para remunerar os acionistas, quanto para os
investidores, que podem contar com rendimentos adicionais em seu portfólio. A estabilidade de preços e a tendência de queda das taxas de juros – que começou em 2003 e deve continuar em 2004 – aumenta ainda mais a atratividade desses pagamentos. “Os dividendos estão aos poucos recuperando a importância perdida nos tempos de alta inflação”, comenta Gilberto Mifano, diretor geral da CBLC.
Pagamentos
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Com relação ao exercício de 2002, no ano passado os investidores receberam R$ 2,1 bilhões
a mais em dividendos e outros eventos em dinheiro. Uma alta, portanto, de 30,3%. A clearing faz questão de repassar aos investidores, no mesmo dia, os eventos recebidos das companhias abertas. Antigamente, os pagamentos eram feitos no dia seguinte. Com o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), que permite transferência simultânea em tempo real, a CBLC repassa os recursos logo após recebê-los. “Os dividendos são dos acionistas e, portanto, devem ser pagos imediatamente”, explica Mifano. Os sistemas da CBLC também informam automaticamente os investidores sobre essas movimentações.
A CBLC também repassou pagamentos de quase R$ 1 bilhão a título de subscrições de ações (R$ 363,8 milhões), de rendimentos de debêntures (R$ 441,7 milhões), de juros de títulos públicos dados em garantia (R$ 93,1 milhões) e de juros e resgates de papéis do programa de venda de títulos públicos pela Internet, o Tesouro Direto (R$ 50,9 milhões).
Liquidação e Custódia
A alta recorde da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2003 contribuiu diretamente para os resultados obtidos pela CBLC, que faz a liquidação e a custódia das ações negociadas em seus mercados. O Ibovespa ultrapassou os 22 mil pontos e cresceu 97,3%. O volume negociado em ações aumentou 47,2% e resultou na liquidação financeira de R$ 204,6 bilhões. O número de negócios com ações aumentou 41,1%, para 9,9 milhões.
Pelo Módulo Bruto (em que a liquidação se dá operação por operação e não envolve o cálculo do saldo líquido financeiro de operações), a CBLC liquidou um total financeiro de R$ 2,0 bilhões em 838 operações. “Os negócios de renda fixa privada prevaleceram nesse módulo, mas houve também operações especiais de ações”, informa Agenor Silva Júnior, gerente de Liquidação e de Monitoração da CBLC. Empresas como VCP, Unibanco e Suzano Papel e Celulose utilizaram os serviços da CBLC em suas ofertas públicas.
Na custódia, a marcação dos papéis a mercado e a alta da Bolsa foram determinantes para o avanço da CBLC. O valor total dos títulos custodiados saltou de R$ 206,2 bilhões, em dezembro de 2002, para R$ 324 bilhões em dezembro último. O aumento foi de 57,2%. “Também ajudaram nesse volume as novas emissões de papéis de empresas, como debêntures, e de cotas de fundos imobiliários”, relata Leandro Alves de Souza, gerente de Custódia da CBLC.
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Tesouro Direto
O Tesouro Direto, programa que permite à população investir diretamente em títulos do governo federal, conquistou mais de 15 mil novos investidores em 2003, com um crescimento de 272,2% na base de clientes em relação ao ano anterior. Com uma forte campanha publicitária, lançada em agosto de 2003 pelo Tesouro Nacional, o programa subiu de 5.620 investidores para 20.916.
A CBLC criou em 2003 facilidades em seu sistema, como o Web Service, a fim de colaborar com o projeto de popularização do Tesouro Direto. A implantação do Web Service permitiu a integração dos sites das corretoras diretamente ao sistema do Tesouro Direto, facilitando a distribuição pelas instituições e o planejamento de carteiras pelos seus clientes. “O resultado foi muito positivo”, avalia Mifano. O volume de compras de títulos públicos teve um aumento expressivo, de 232,7%, totalizando R$ 253,2 milhões.
FIDC
Em julho, foi lançado o primeiro Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC), da Caixa Econômica Federal. O FIDC Caixa Brasil Construir foi criado sob a regulamentação do Programa de Incentivo à Implementação de Projetos de Interesse Social (PIPs), que abriu caminho para empresas que querem investir no mercado habitacional, em parceria com o setor público, e captarem recursos junto ao público de varejo. A CBLC irá fazer a custódia das cotas.
BTC
O Banco de Títulos (BTC), mecanismo de empréstimos de ações, também mostrou resultados animadores no ano passado. O número de instituições participantes cresceu de 64 para 77 e o número de negócios saiu de 22.486 para 39.772. Com isso, o volume negociado no Banco de Títulos cresceu 74,1% no ano, atingindo R$ 13,2 bilhões.
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O Banco de Títulos permite aos detentores de ações alugá-las para outros investidores, por um prazo predeterminado, em troca de uma remuneração. Com isso, os investidores de longo prazo maximizam a rentabilidade de suas carteiras. Uma das novidades nesse mercado em 2003 foi a implantação do empréstimo compulsório de ações, o BTC Automático, a partir de novembro. Com o uso do BTC nos casos em que há ofertas disponíveis, a CBLC cobre eventuais falhas de entrega de títulos negociados na Bolsa, tomando-os emprestado compulsoriamente em nome do vendedor inadimplente. Normalmente, menos de 0,5% das operações estão sujeitas a falhas de liquidação. “Reduzimos as falhas em cerca de 50% com o BTC Automático, em média”, comemora Mifano.
Derivativos
No mercado de opções, o volume médio diário de prêmios chegou a R$ 64,8 milhões. Já no mercado a termo, a média diária de valores contratados ficou em R$ 25,8 milhões. O total de garantias depositadas na CBLC pelos investidores que operam nos mercados de derivativos e no BTC chegou a R$ 4,1 bilhões, com crescimento de 75,8%. Os sistemas de gerenciamento de riscos da CBLC estimam o total de garantias necessárias diariamente, conforme as exposições dos agentes de compensação, das corretoras e dos seus clientes. “Cenários de estresse são utilizados para calcular as perdas máximas prováveis com 95% de exatidão”, explica Francisco Carlos Gomes, diretor de Riscos da CBLC.
Garantias
Para reduzir custos e ampliar o número de ativos aceitos como garantia de operações, a CBLC e a BB DTVM lançaram, em dezembro, o Fundo de Investimento Financeiro BB CBLC. Os investidores passaram a poder aplicar nesse fundo e usar suas cotas como colaterais de suas próprias operações de derivativos na Bovespa. “O fundo reduziu o custo de constituição das garantias, principalmente para as pessoas físicas”, diz João Batista Fraga, diretor de serviços da CBLC. A aplicação mínima no FIF BB CBLC é de R$ 10,00.
Back Office
O CBLC Back Office, serviço oferecido para clubes de investimento e fundações, dobrou de tamanho em 2003. O número de clientes chegou a 104 em dezembro. Destes, a maioria são os clubes de investimento em ações, criados principalmente com a campanha de popularização do mercado acionário “Bovespa Vai Até Você”. A CBLC oferece serviços de custódia de ativos, tesouraria e controladoria. “Com o Back Office, os gestores dos clubes podem se concentrar em sua atividade principal: administrar ativos conforme as políticas de investimento definidas”, afirma Amarílis Prado Sardenberg, diretora de Operações da CBLC. Em dezembro, o número de clubes registrados na Bovespa chegou a 755, com um patrimônio total investido de R$ 4,0 bilhões.
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