78 empresas do IBrX distribuem R$ 73,9 bilhões em seis anos
As companhias abertas têm mantido uma forte política de distribuição de proventos aos seus acionistas nos últimos anos. O pagamento de dividendos e de juros sobre o capital próprio supera o mínimo exigido por lei – 25% do lucro líquido, no total –, mesmo nos anos de “vacas magras”, quando ocorre queda de resultados financeiros. É o que mostra um levantamento da Bovespa sobre o comportamento de 78 empresas participantes do IBrX.
De 1997 a 2002, essas companhias tiveram um lucro líquido acumulado de R$ 128,2 bilhões. Destes, distribuíram R$ 23,9 bilhões a título de dividendos (18,65% do lucro) e R$ 49,9 bilhões por conta de juros sobre o capital próprio (38,95%). No total, as companhias repassaram R$ 73,9 bilhões de proventos em dinheiro aos seus acionistas nestes seis anos. Distribuíram, portanto, 57,60% do lucro líquido, em média. Em 2002, último dado completo disponível, o “pay out” (proventos em relação ao lucro) chegou a 86,85%, bem acima do ano anterior (55,59%), quando os lucros das empresas haviam sido maiores (veja quadro).
São resultados animadores. “As companhias abertas estão fidelizando seus acionistas com
políticas constantes de distribuição de dividendos e juros sobre o capital próprio”, diz Maria Helena Santana, superintendente executiva de Relações com Empresas da Bovespa. “Grande parte das empresas da amostra distribuíram resultados todos os anos desde 1997”, afirma Claudio Avanian Jacob, analista de Desenvolvimento de Empresas da Bolsa.
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Maria Helena Santana e Cláudio Jacob, da Bovespa: pay out de 87%
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Em 2002, as empresas que mais se destacaram na distribuição de proventos em dinheiro foram a Companhia Vale do Rio Doce (R$ 1,0 bilhão), a Telecomunicações de São Paulo (R$ 1,8 bilhão) e a Petrobrás (R$ 2,8 bilhões). Também chamam atenção os valores repassados pelo Bradesco (R$ 947,3 milhões), pela Telemar Norte Leste (R$ 856,7 milhões) e pelo Itaú (R$ 829 milhões).
Para a Bovespa, esses números refletem não apenas a política de remuneração dos acionistas, mas também as condições econômicas do país. Para 2004, em que se espera uma retomada do crescimento econômico, com alta do PIB de 3% a 4%, as empresas poderão ter de investir mais do que nos anos anteriores para manter mercado. Não se sabe, ainda, qual será o efeito desse fenômeno na distribuição dos proventos. “O importante é que algumas empresas já definiram suas políticas e deverão mantê-las, como têm feito, pois elas agregam valor aos acionistas”, diz Maria Helena Santana.
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