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Leilão
BEM é vendido por R$ 78 milhões
Bradesco compra o Banco do Maranhão em leilão na Bovespa. CBLC auxilia o Banco Central na privatização

Gustavo do Vale, diretor do BC: “As parcerias com a CBLC e a Bovespa garantem a transparência dos processos de privatização ”
O primeiro leilão de privatização do governo Lula teve o Bradesco como vencedor. O Banco Estadual do Maranhão (BEM) foi vendido, no dia 10 de fevereiro, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O valor pago pelo Bradesco foi de R$ 78 milhões, com ágio de 1,073%. O envelope foi entregue três segundos antes do prazo final para a apresentação das propostas. O preço mínimo estipulado pelo Banco Central (BC) era de R$ 77,17 milhões – valor oferecido pelo Itaú, o segundo participante do leilão.

A diferença entre os dois lances, por ser inferior a 20%, levou o leilão para viva-voz, mas não houve novas propostas e o Bradesco foi sagrado vencedor. Dois outros bancos haviam sido pré-qualificados pelo BC: Unibanco e Banco GE Capital. Porém, apenas Bradesco e Itaú depositaram as garantias financeiras na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e participaram da disputa. O valor da garantia deveria ser igual ou maior a R$ 77,21 milhões. A CBLC foi responsável pela pré-identificação dos participantes do leilão, pela aceitação das garantias e pela liquidação do negócio, realizada no dia 13 de fevereiro.

Foram vendidas 324.181.808 ações ordinárias do BEM, o que representa 89,957% do capital social do banco. Os outros 10% dos papéis foram ofertados aos empregados da instituição. O pagamento do negócio foi feito, em sua maior parte, com moedas de privatização (como títulos de empresas públicas extintas). O edital de privatização do BEM determinava que 10% do valor, no mínimo, deveria ser pago em dinheiro.

Com 77 agências, o BEM estava sob o controle do governo federal desde 2000. As contas de funcionários públicos são um grande atrativo do banco, segundo o diretor executivo do Bradesco, Sérgio de Oliveira. Dos 120 mil empregados ativos e inativos do Estado, 90% têm conta no BEM. No total, são 186 mil contas correntes e 103 mil cadernetas de poupança. Os ativos somam R$ 760 milhões. Os depósitos chegam a R$ 303 milhões e o patrimônio líquido, a R$ 37 milhões. “O Maranhão é um estado pujante. Foi um bom negócio para o Bradesco. Esperamos ter lucro e ganhar dinheiro com o banco”, afirmou Oliveira. O Bradesco possui 25 agências no Maranhão.

Estiveram presentes no leilão, além de representantes do BEM, do Bradesco e do Itaú, o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Luiz Leonardo Cantidiano, e o diretor de Liquidação e Desestatização do Banco Central, Antônio Gustavo do Vale. O presidente da CVM destacou a participação da CBLC no processo de privatizações. “É uma atividade que vem sendo aprimorada no Brasil e envolve preparar os manuais, pré-qualificar os candidatos, receber as garantias, organizar o mecanismo de leilão, fazer a liquidação e os pagamentos. É extremamente importante para o mercado ter uma instituição que possa, sendo a clearing do sistema, fazer esse papel nos leilões”, disse o presidente da CVM logo após a privatização do BEM.

Segundo Vale, o papel da CBLC é fundamental. “As parcerias com a CBLC e a Bovespa garantem a transparência dos processos de privatização”, afirmou. A parceria é antiga. “A CBLC foi nossa parceira em todas as privatizações, mesmo quando os leilões eram na Bolsa do Rio de Janeiro”, disse. Outros leilões estão a caminho. “Os próximos três bancos federalizados a serem privatizados terão, com certeza, seus leilões realizados na Bovespa”, garantiu o diretor do BC. Vale refere-se ao BEC, do Ceará; ao BEP, do Piauí; e ao BESC, de Santa Catarina.