Fundos de recebíveis crescem e somam R$
2,3 bilhões
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| Antonio Hermann, da Integral Trust: "O FIDC permite às empresas acessarem diretamente o mercado de capitais". |
Os fundos de recebíveis, regulamentados pela CVM
em 2001, ganharam força nos últimos meses. Entre março
de 2003 e janeiro de 2004, foram lançados 21 Fundos de Investimento
em Direitos Creditórios (FIDC), com patrimônio líquido
total de R$ 2,3 bilhões. “É mais do que os fundos
imobiliários captaram nos últimos dez anos”, compara
Carlos Sussekind, superintendente de Relações com Investidores
Institucionais da CVM.
Atualmente, dez fundos com onze séries são negociados
na Bovespa Fix e no Somafix, com um patrimônio aproximado de
R$ 1,8 bilhão. Sete outros fundos do gênero estão
em análise na Bovespa.
O FIDC é destinado a investidores qualificados. Foi criado
com o objetivo de dar liquidez ao mercado de crédito e tem
como ativos os direitos creditórios da instituição
originadora (que cede recebíveis) do fundo. As empresas têm
nessa modalidade de investimento uma opção de financiamento
fora do sistema bancário e os bancos, de vender seus créditos
para os fundos, abrindo espaço para novas operações.
“O FIDC permite às empresas acessarem diretamente o mercado
de capitais, sem precisar recorrer a empréstimos bancários”,
afirma Antonio Hermann, sócio da consultoria Integral Trust.
“É uma captação muito mais barata”,
diz Sussekind. A empresa originadora tem ainda a vantagem de captar
recursos de prazo mais longo, com isenção de impostos
como Cofins, CPMF e IOF.
O FIDC reduz o risco do investidor à performance dos recebíveis
que compõem o fundo. “O exemplo mais recente de que esse
modelo funciona foi o fundo da Parmalat. A empresa quebrou, mas os
cotistas conseguiram receber 100% do investimento mais a rentabilidade
pro rata”, diz Hermann. Essa segurança, a queda da taxa
de juros e a estabilidade política e econômica devem
contribuir para o crescimento dos FIDC nos próximos meses.
“O mercado vai se desenvolver. Estimam os que, ao final de 2004,
tenhamos um patrimônio líquido de R$ 20 bilhões”,
acrescenta.
As carteiras já lançadas são de empresas de perfis
variados. Há algumas do setor elétrico (Copesul), financeiro
(Banco Panamericano), de indústrias de alimentos (Sadia e Perdigão)
e imobiliário (Shopping Pátio Higienópolis).
Um dos maiores fundos é o do Pão de Açúcar,
com um patrimônio de R$ 500 milhões. Muitos desses fundos
são negociados no mercado de balcão. “O maior
número de fundos obrigará a migração dos
negócios para o balcão organizado. Os ambientes da Bovespa
e da CBLC darão muito mais transparência aos fundos”,
avalia Rodrigo Machado, diretor da Ourinvest, empresa responsável
pelo FIDC Shopping Higienópolis.
Os fornecedores de bens e serviços da Petrobras passarão
a contar com o FIDC para financiar seu capital de giro. O sistema,
em implantação, permitirá antecipar créditos
que os fornecedores têm a receber da Petrobras, vendendo-os
para bancos gestores dos FIDC. Há entre 3 mil e 4 mil fornecedores
que são potenciais candidatos a usar o fundo. Em 2003, a Petrobras
comprou cerca de R$ 18 bilhões em materiais e serviços
no Brasil.
A CBLC presta serviços de compensação e liquidação
de operações com as cotas de FIDC realizadas na Bovespa
Fix e no SomaFix. “Adicionalmente, a CBLC atua como central
depositária dessas cotas e oferece uma estrutura altamente
segura para a guarda desses ativos. Os ativos são mantidos
em contas de custódia individualizadas em nome dos investidores.
Essas contas ficam sob responsabilidade de um agente de custódia”,
afirma Marcelo Wilk, coordenador de proventos da CBLC. |