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Derivativos
Uma opção a mais
Mercado de opções é alternativa de proteção de carteira e captação de recursos
Alan Gandelman, do Ágora Sênior: "O segmento de opções tem grande potencial".

A gradual queda da taxa de juros e a alta recorde da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), em 2003, contribuíram para resultados animadores no mercado de derivativos. A fatia do mercado de opções (ações e índice) no volume financeiro total da Bovespa cresceu de 6,2% para 7,96%. As opções sobre ações chegaram a um volume de R$ 14,9 bilhões, valor 95,7% maior do que no ano anterior. Representaram 7,3% do total negociado na Bovespa, com crescimento em relação aos 5,5% de participação em 2002. O volume das opções sobre índice também apresentou aumento: 65,7%, totalizando R$ 1,3 bilhão.

Ainda há espaço para um crescimento maior das opções, que são liquidadas pela CBLC. O diretor da corretora Ágora Sênior, Alan Gandelman, acredita que, à medida que os derivativos das empresas ganharem mais liquidez, esse mercado se fortalecerá. “O segmento de opções tem um grande potencial”, afirma. Por enquanto, os negócios são concentrados em poucos papéis, o que tende a mudar com o tempo. “Hoje, temos a opção de ação da Telemar como a mais negociada. Petrobras e Vale, de vez em quando, são negociadas também. Mas estamos muito presos a um ativo só”, acrescenta Gandelman. Em relação às opções sobre índice, ele também é otimista. “É uma opção para quem tem uma carteira diversificada, para grandes investidores”.

O cenário político-econômico interno favorável de 2003 beneficiou os investidores. Este ano, se os juros continuarem em queda, a tendência é de um novo impulso ao mercado. “A queda dos juros no ano passado possibilitou diferentes estratégias de opções, mescladas com o mercado à vista, especialmente para os investidores institucionais e financeiros. O ano de 2004 deve apresentar bons números também”, diz Ricardo Pinto Nogueira, superintendente executivo de operações da Bovespa.

O mercado de opções tem, basicamente, duas finalidades: captação de recursos e proteção de carteira. “A opção é um belíssimo instrumento de proteção de portfólio e deve ser incentivado. Como diretor de corretora, tenho que oferecer essa alternativa para o meu cliente e mostrar que o mercado de opções é um excelente mitigador de risco”, afirma Eduardo Brenner, vice-presidente da CBLC e sócio da corretora Hedging-Griffo. Nogueira concorda. “Para investidores institucionais, o mercado de derivativos é atraente. E o mais sofisticado deles é o de opções. Ele limita perdas, assegura ganhos e possibilita operações mais inteligentes”.

As pessoas físicas têm participação cada vez maior no mercado de opções. O investidor institucional representou, juntamente com as instituições financeiras, 26,2% do volume negociado no mercado de opções em 2003. Investidores pessoas físicas tiveram uma participação de 66,6%, embora respondessem por 24,4% no total da Bovespa. “A média por negócio de pessoa física com opções é de R$ 1.800,00. São, na maioria das vezes, investidores autônomos que negociam através do Homebroker”, afirma Nogueira.

Os técnicos da área alertam para o perigo de negociar opções sem conhecimento dos riscos decorrentes de operações mal estruturadas. Para Brenner, a alta volatilidade desse mercado e o fato de as opções terem vencimento são fatores que o tornam mais arriscado. “Os investidores, especialmente as pessoas físicas, devem tomar cuidado, porque o mercado de opções é mais volátil por definição. O investidor deve conhecer o fundamento da ação da qual a opção deriva”, explica.

Com seus mecanismos de gerenciamento de riscos, a CBLC desempenha um papel fundamental nesse mercado, evitando que a especulação prejudique os investidores. “A CBLC tem como enxergar os grupos de clientes que trazem mais riscos para o mercado. A opção é uma estratégia a mais que a CBLC fornece para os investidores usarem como derivativo. A função da CBLC é prover a liquidação de todas as operações feitas na Bovespa, inclusive as de opções”, completa Brenner. Leia mais