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Derivativos
Uma alavanca nos negócios
Mercado a termo é alternativa para quem quer comprar a prazo

José Costa Gonçalves, da Indusval Multistock: "O charme da operação para financiador é a liquidação antecipada".
O mercado a termo de ações na Bovespa cresceu 91,9% este ano. Até abril, as operações a termo somaram R$ 3,52 bilhões, bem acima do R$ 1,83 bilhão negociado no mesmo período em 2003. Foram 53.788 negócios em apenas quatro meses, equivalentes a 49,6% dos registros em todo o ano passado, quando esse mercado movimentou R$ 6,45 bilhões. A CBLC calcula diariamente as margens requeridas, recebe as garantias dos investidores e faz as liquidações das operações a termo, além de disponibilizar sistemas que auxiliam as corretoras a gerenciar o risco de seus clientes.

Operar a termo consiste em comprar ou vender ações a um preço fixo, para liquidação em um prazo determinado. O preço do papel na data da liquidação futura é travado no ato da operação. Os compradores de ações a termo (que apostam na alta do papel) pagam juros aos vendedores, conforme o prazo do contrato. De um lado, os compradores procuram garantir preços, diversificar riscos e captar recursos, por meio de uma operação de renda variável. De outro, os vendedores (também chamados de financiadores) aumentam a receita de suas carteiras com baixíssimo risco, fazendo uma operação de renda fixa.

O termo, lançado no início dos anos 70, foi o primeiro mercado de derivativos da Bovespa. Do lado dos compradores, esse mercado é formado principalmente por pessoas físicas e instituições financeiras. Enquanto em 2002 o número de participantes pessoas físicas ficou em 22,2%, no ano passado o total foi de 30,8%. Já os financiadores são, majoritariamente, investidores institucionais e fundos de investimento exclusivos.

As estratégias possíveis com operações a termo são diversificadas e atrativas. Os investidores que possuem ações e precisam de recursos, mas não querem se desfazer definitivamente de seus papéis, podem realizar a operação “caixa”: vendem ações à vista e, logo em seguida, compram a mesma quantidade de papéis a termo. O custo dessa operação são os juros, cobrados proporcionalmente ao período do contrato.

Outra alternativa, bastante utilizada, é alavancagem. Os investidores podem comprar a termo uma quantidade de ações superior à que sua disponibilidade financeira permitiria comprar à vista. Quando compra à vista, o investidor tem de pagar 100% da posição em três dias úteis (D+3). Quando compra a termo, pode optar por pagar a partir de D+3 até a data final do contrato, depositando na CBLC as garantias para cobrir o risco de oscilação dos papéis. Como essas garantias representam geralmente apenas uma fração do total, o restante dos recursos pode ser utilizado para alavancar posições. Uma operação que exija 20% de depósito de garantia, por exemplo, aumenta em cinco vezes o potencial de compra de ações a termo. O investidor deve sempre observar que, caso ocorra uma oscilação contrária à sua posição, necessitará dispor de ativos que serão utilizados para cobrir as chamadas de margem adicionais que serão requeridas.

Qualquer ação negociada na Bovespa pode ser negociada no mercado a termo. O prazo do contrato é livremente escolhido pelos investidores, desde que obedeça ao mínimo de 12 dias úteis e ao máximo de 999 dias corridos. Os compradores têm o direito de antecipar o pagamento e receber os papéis. Com isso, realizam lucros quando a alta prevista do papel acontece antes do final do contrato. Para os vendedores, isso também é interessante, pois os juros do período contratado são pagos integralmente, mesmo que haja antecipação. “O charme da operação para o financiador é a liquidação antecipada. Um contrato com taxa combinada para 90 dias, por exemplo, pode ser liquidado aos 45 dias, o que dobra o rendimento”, explica o veterano José Costa Gonçalves, da corretora Indusval Multistock.

Há uma outra alternativa de negócio nesse mercado: o termo flexível, disponível desde janeiro de 2003. A diferença para o termo convencional é que o comprador pode, antes do vencimento do contrato, trocar o ativo-objeto. A taxa de juros cobrada pelo financiador é maior, já que o comprador não liquida o contrato antecipadamente. “Quem procura esse tipo de negócio é o investidor mais ativo, que acompanha o mercado de perto. O produto ainda é novo e tende a crescer com o tempo”, diz José Luiz Sampaio, gerente de Operações da corretora Isoldi.

O crescimento do interesse nos negócios a termo se justifica pela segurança das operações. Toda transação a termo requer um depósito de garantia na sociedade corretora, intermediária da operação, e desta na CBLC. As corretoras podem ainda pedir a seus clientes garantias adicionais àquelas exigidas pela clearing. “O sistema é garantido pela CBLC. A prova foi o 11 de Setembro. Foi a primeira vez que sentimos um risco sistêmico forte e a CBLC foi muito firme e mostrou que é extremamente sólida”, afirma Costa.

A CBLC exige garantias (de 10 a 100% do valor da operação), conforme a liquidez do papel. Além disso, conta com o sistema CM-TIMS para gerenciar os riscos individuais de todos os participantes e exigir garantias para que eles cubram seus compromissos no prazo. “Caso o comprador fique inadimplente, a clearing vende as ações, executa as garantias e, se sobrar alguma quantia, a devolve para o cliente. Se faltar, é a corretora que cobre. Por isso, as corretoras têm a responsabilidade de analisar o crédito dos clientes”, explica Costa.