Regulação e infra-estrutura do mercado brasileiro estão entre as melhores do planeta, diz Citigroup
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| Sede da CBLC e da BOVESPA: Brasil adota melhores práticas globais. |
Os fundamentos econômicos de um país e a qualidade das empresas determinam o grau de interesse dos investidores estrangeiros nos mercados de ações e de renda fixa. Mas essas não são as únicas características fundamentais no processo decisório dos administradores de portfólios. Eles também avaliam se as transações financeiras transcorrem da maneira mais rápida e segura possível, desde a execução da ordem até a liquidação financeira e a custódia dos títulos. Portanto, um mercado atrativo também precisa apresentar boa regulação, infra-estrutura adequada e uma ótima comunicação entre os diversos participantes. Desde a implantação do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), há dois anos, o Brasil tornou-se um dos poucos países do mundo que cumprem esses três requisitos, afirma Michael L. Goering, diretor da área de Global Transaction Services do Citigroup.
A convite da revista Latin Finance, Goering participou de uma mesa-redonda, em Nova York, sobre o mercado de custódia de títulos na América Latina. Ele elogiou a adoção, pelo Brasil, das melhores práticas globais de pagamentos, necessárias para a adoção do Straight Through Processing (STP) de títulos, crescente exigência dos investidores internacionais. “O Brasil fez um excelente trabalho e executou as estratégias que muitos países europeus e asiáticos estão buscando. O Brasil não é apenas um modelo para a América latina, é um modelo para o mundo”, afirma Goering. Em entrevista ao Foco!, ele falou sobre o mercado brasileiro:
Por que o Brasil é um modelo para o mundo?
Um mercado eficiente é uma combinação de três coisas: re-gulação cuidadosa, infra-estrutura forte e comunicação consistente entre os participantes. O Brasil é um dos poucos mercados que têm todas as três. Nos últimos três anos, os reguladores introduziram flexibilidade para que os participantes pudessem se especializar em suas competências principais, transferindo outras funções para terceiros. Isso permite às instituições gerenciar a corrida tecnológica, o foco de negócio e os riscos de contraparte. Do ponto de vista de infra-estrutura, a integração e o nível de envolvimento do Banco Central ajudaram as clearing houses a adotar modelos eficientes e similares entre si. A regulação sobre tecnologia e infra-estrutura funciona muito bem no Brasil. O SPB utiliza experiências globais e funciona sem surpresas desde o início.
Qual é a importância disso tudo para a atração de investimento estrangeiro?
A atitude dos reguladores e dos construtores de infra-estrutura demonstra as fundações de um mercado e seu potencial de desenvolvimento. O que aconteceu no Brasil inspira confiança. Há exigências mínimas dos investidores internacionais aos países que receberão investimentos, principalmente no caso dos fundos de pensão. É muito importante um mercado ter uma infra-estrutura bem controlada e bem governada. É o caso do Brasil. Muitas vezes as pequenas coisas, que tornam o mercado fácil de fazer negócios, mudam a perspectiva do investidor significativamente. Por exemplo, a abertura de uma conta nova no Brasil levava semanas. Hoje, isso mudou para 24 a 48 horas.
O que temos de fazer para melhorar ainda mais o nosso mercado?
Do ponto de vista da infra-estrutura, o Brasil já está entre os 10 ou 15 melhores mercados do mundo. Outros países com infra-estrutura semelhante à do Brasil são o Reino Unido e a Itália. O Japão está implementando o mesmo tipo de clearing houses. Honestamente, não há muito trabalho adicional a ser feito do ponto de vista da infra-estrutura. Com o desenvolvimento dos derivativos e mercados futuros, será preciso assegurar padrões para esses instrumentos, para que os mercados secundários de títulos se desenvolvam mais.
Qual é sua avaliação sobre o papel da CBLC no mercado?
A CBLC promove uma boa integração do mercado. A comunicação é essencial no desenvolvimento de um mercado e a liderança da CBLC certamente deve ser reconhecida. A CBLC realmente envolve os participantes na avaliação das várias alternativas disponíveis no mundo e alavanca as melhores práticas globais no mercado brasileiro. |