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Oferta Pública
O avanço das corretoras
Sistema da CBLC aumenta fatia das instituições independentes nas distribuições de ações

Gasperin, da Geral: destaque na distribuição da Weg.
Ede Gasperin, diretor da Corretora Geral de Valores e Câmbio, de Porto Alegre, está rindo à toa. Há 22 anos no mercado, Gasperin vê com alegria a participação crescente das corretoras independentes na distribuição primária e secundária de ações, que antes era praticamente restrita a instituições ligadas a bancos. Segundo ele, a Geral foi a quarta maior distribuidora da oferta pública secundária da Weg S.A., concluída no início de setembro: colocou R$ 8,4 milhões, de uma oferta total de R$ 293,66 milhões. “As portas não estão mais fechadas para nós”, comemora Gasperin. “Quem acompanhou processos de underwriting no passado sabe que somente um grupo seleto de instituições podia participar.”

Desde o final do ano passado, a Geral já tomou parte em uma dezena de operações primárias e secundárias, graças ao Serviço de Apoio à Distribuição da CBLC. O sistema permite o acesso e simplifica a atuação das corretoras no pool de distribuição das ofertas de varejo. A CBLC centraliza a operação, faz a liquidação bruta das vendas (institucional e varejo) e a custódia dos papéis. Ao aderir ao pool, a corretora utiliza as facilidades criadas para o serviço, como os formulários padronizados de reserva e de compra e venda de ações. “A CBLC nos dá toda a logística necessária. E as operações têm uma visibilidade ótima, dá para saber rapidamente todas as informações ligadas à distribuição”, diz Gasperin.

A popularização do mercado acionário ganhou força com as vendas de ações da Petrobras (agosto de 2000) e da Vale do Rio Doce (março de 2002). Com a permissão do uso de recursos do FGTS pelos trabalhadores, a distribuição da Vale atingiu cerca de 599 mil investidores e a da Petrobras, 337 mil. Em novembro de 2003, a emissão da Suzano Papel e Celulose reforçou a presença das corretoras nas distribuições ao varejo. Desde então, foram lançados papéis empresas como VCP, CCR, Natura, Gol, ALL, CPFL e Braskem, além de cotas do Fundo PIBB, do BNDES.

Com a entrada das corretoras, a participação das pessoas físicas nas compras de ações tem crescido. No total, os emissores, os investidores privados e o BNDES captaram R$ 940 milhões no varejo, atingindo 61.145 investidores (esse total pode ser menor, devido à participação de um mesmo investidor em mais de uma operação). Somado às operações das estatais, o varejo comprou quase R$ 4,5 bilhões em ações nos últimos quatro anos.

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No caso da Weg, a distribuição atingiu 5.537 investidores, no valor de R$ 111,5 milhões. Essa fatia representou 38% da oferta total. Participaram do pool de distribuição 48 corretoras de valores. Como a demanda foi maior que a oferta, houve um rateio de 92%. Os ofertantes foram a própria Weg (ações em tesouraria), a Bradesco Templeton Asset Management, a Previ e o BNDES. Os coordenadores foram Bradesco (líder), Banco do Brasil e Pactual.

Foram vendidas 40.786.131 ações preferenciais, ao preço unitário de R$ 7,20. A Corretora Geral intermediou as compras de 131 clientes e clubes de investimento. “Nosso trabalho foi mais concentrado sobre as pessoas físicas e os clubes de investimento”, conta Gasperin. Para ele, é muito importante a questão do baixo risco para as corretoras envolvidas nas distribuições ao varejo. “Não temos obrigação de colocar volumes definidos, o que é muito bom. A demanda é definida pelos clientes e não pelas corretoras”, afirma.