Projeto une Bolsas do Brasil e do México
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| Magliano e Treviño: integração para fortalecer mercado regional |
Foi dada a largada para a integração regional das Bolsas de Valores na América Latina. O plano piloto para integrar a Bovespa e a Bolsa Mexicana de Valores (BMV) já está formalizado e deve servir de exemplo para os demais países da região. É o que espera a entidade líder do projeto, a Federação Ibero-Americana de Bolsas (FIAB). Com sede em Buenos Aires, a FIAB reúne 17 Bolsas latino-americanas e, ainda, as Bolsas de Portugal e Espanha.
O convênio firmado entre a Bovespa e a BMV prevê uma estrutura operacional de mão dupla, em que corretoras correspondentes no México atuarão em conjunto com as corretoras do Brasil para permitir investimentos de brasileiros no mercado acionário mexicano, e vice-versa. Os investimentos serão feitos em reais ou em pesos junto às corretoras locais e as ações ficarão no país de origem. A CBLC e a Indeval farão um convênio para a custódia das ações, em que as posições de investidores brasileiros e mexicanos serão controladas em conjunto. Esse formato respeita as particularidades de cada mercado e as características da estrutura local, como Bolsas, intermediários (são 106 corretoras no Brasil e 25 no México) e formação de preços. “Não faremos integração das Bolsas, e sim, dos mercados”, diz Raymundo Magliano Filho, presidente da Bovespa.
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O projeto está sujeito à aprovação das autoridades reguladoras, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Comisión Nacional Bancária y de Valores do México. Com a integração regional, a FIAB espera desenvolver os mercados locais, aumentar a liquidez das empresas que não possuem acesso aos principais centros financeiros internacionais e oferecer novas alternativas de investimento aos gestores de fundos e fundações de previdência latino-americanos. “Hoje, as ações de muitas empresas brasileiras e mexicanas são negociadas em Nova York. Queremos canalizar a poupança da região diretamente para as empresas dos nossos países, sem ter de passar por Wall Street”, diz Gilberto Mifano, vice-presidente da FIAB e superintendente da Bovespa e da CBLC.
O presidente da FIAB e da BMV, Guillermo Prieto Treviño, não vê problemas na integração dos sistemas das Bolsas envolvidas no projeto piloto. “A Bovespa e a BMV têm sistemas de nível internacional e podem competir num mercado global que opera 24 horas por dia”, afirma. O maior desafio será a adaptação legal do mercado regional junto às autoridades regulatórias nacionais. Todas as adaptações necessárias – como a questão da remessa cambial e a tributação – terão de ser negociadas em cada país. “Vejo mais dificuldades para a integração aqui do que na Europa, onde existe um órgão supranacional para coordenar a integração. Mas não será difícil superar as dificuldades”, prevê Eduardo Manhães, superintendente de Relações Internacionais da CVM.
Existem atualmente 1.642 compa-nhias listadas na América Latina, com capitalização total de US$ 612 bilhões (29% do PIB) em setembro de 2004. Destas, 108 são negociadas na Bolsa de Nova York, por meio de ADRs. Na Bovespa, as 360 empresas listadas têm valor de mercado de US$ 277 bilhões (28% do PIB). No México, as 152 companhias negociadas na BMV valem US$ 152 bilhões (23% do PIB). |