Seminário discute a abertura dos serviços financeiros
As instituições do mercado de capitais brasileiro precisam participar mais ativamente das discussões sobre o grau de abertura do mercado local ao capital estrangeiro, que o País vai apresentar nas próximas rodadas de negociação multilaterais nos âmbitos da OMC, da ALCA, do Mercosul e da União Européia. Essa é a principal conclusão do “Seminário sobre Negociações Internacionais em Serviços Financeiros”, promovido por Bovespa, CBLC e Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
O engajamento das instituições financeiras e de suas entidades representativas nesse debate é muito importante, pois o setor pode ser surpreendido por concessões indesejadas aos demais países. Sua abertura faz parte da discussão sobre a liberalização dos serviços pelos países membros da OMC. “O Brasil obteve conquistas significativas nas negociações agrícolas na OMC e agora vai ter de avançar nas propostas de serviços. A moeda de troca está sobre a mesa: é o setor financeiro”, afirma Mário Marconini, diretor executivo do Cebri.
Estão em discussão questões importantes, como abertura do mercado bancário, venda de serviços financeiros por estrangeiros sem presença física no país, resseguros e investimentos de pessoas físicas no exterior, entre outras. Para Mônica Baer, economista-chefe da MB Associados, o mercado precisa formular uma estratégia de negociação. “Existe o risco de sermos atropelados por interesses externos. Não é o caso de fechar o nosso mercado, mas de termos elementos para discutir os interesses do País”, diz.
O próprio governo reconhece a necessidade de receber o posicionamento das instituições privadas nas mais diferentes questões, já que há múltiplos interesses internos e de difícil conciliação. “Para fazer pedidos, precisamos de inputs do setor privado”, diz Henri Kistler, assessor da Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda. As reivindicações devem ser realistas, defende o presidente da CVM, Marcelo Trindade. “A CVM tem uma opinião crescentemente simpática à prestação de serviços financeiros transfronteiriços”, afirma. O debate está lançado. |