Investidores do exterior compram ações no mercado local
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A participação dos investidores estrangeiros nas distribuições públicas de ações tem sido impressionante. Segundo a Bovespa, os investidores não-residentes compraram 49%, em média, das ações vendidas no mercado local este ano pelas empresas CCR, Natura, Gol, ALL Logística, Braskem, Weg, CPFL Energia, Sabesp e Grendene (veja tabela abaixo).
No total, estas empresas distribuíram R$ 6,3 bilhões em emissões primárias e secundárias. Deste montante, R$ 3,6 bilhões foram destinados à venda no Brasil e o restante, no exterior, por meio de ADR´s. Aqui, os estrangeiros ainda adquiriram R$ 1,8 bilhão. “O interesse dos estrangeiros pela compra local foi expressivo até mesmo nos casos em que houve lançamento simultâneo de ADR´s, como na Gol”, afirma Ricardo Pinto Nogueira, superintendente executivo de Operações da Bovespa. Nas empresas cuja distribuição foi totalmente local, como CCR, Natura, Weg e Grendene, o percentual de participação foi ainda maior, chegando a 74,82% (CCR).
Para Nogueira, os estrangeiros têm demonstrado muita confiança nas ações brasileiras. Em 2004, até o dia 10 de dezembro, as ordens de compra desses investidores superaram as de venda em R$ 2,9 bilhões, incluindo as negociações em Bolsa e as ofertas públicas. No mercado secundário, a participação dos estrangeiros chegou a 27,4% no mesmo período.
Um dado expressivo nesse contexto é que as ações têm sido lançadas a múltiplos superiores aos patamares habituais. Ou seja, a preços bem maiores do que a média dos papéis existentes. A adoção de mecanismos de proteção aos investidores, como o “tag along”, e a entrada das companhias no Novo Mercado têm sido valorizadas. “O pessoal está pagando mais pela governança corporativa”, diz Nogueira. Segundo ele, o papel da CBLC nas distribuições, desde os pedidos de reserva até a liquidação, também é relevante para os investidores estrangeiros. “A CBLC dá facilidade operacional e tranqüilidade ao mercado”, afirma Nogueira. |