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Pagamentos
CBLC repassa R$ 15 bilhões ao mercado
Eventos de custódia, como dividendos, juros e resgates, crescem 50,3% em 2004

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Depois de crescer mais de 35% em 2003, os pagamentos da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia ao mercado aumentaram 50,3% em 2004. No ano passado, os investidores do mercado de capitais e as empresas abertas receberam R$ 15 bilhões a título de rendimentos e demais pagamentos de títulos custodiados pela CBLC.

Esse volume inclui os eventos de custódia relacionados a ações (R$ 13,7 bilhões), subscrições (R$ 728,8 milhões), títulos de renda fixa (R$ 447,7 milhões), títulos públicos dados em garantia (R$ 77,7 milhões) e títulos federais comprados por meio do Tesouro Direto (112,2 milhões). Neste serviço, em particular, 32.647 investidores aplicaram em papéis do Governo pela Internet. O volume de compras liquidadas pela CBLC no Tesouro Direto chegou a R$ 359,6 milhões.

O aumento expressivo nos repasses ao mercado deve-se à significativa participação da CBLC na custódia de ativos – que cresceu de R$ 324,2 bilhões em 2003 para R$ 388,9 bilhões em 2004 – e ao bom desempenho da Bolsa. No ano passado, o Ibovespa cresceu 17,8%, para inéditos 26.196 pontos. O volume financeiro diário médio da Bovespa subiu de R$ 818 milhões para R$ 1,2 bilhão (49%). A capitalização de mercado passou de R$ 677 bilhões para R$ 905 bilhões (33,7%). Com isso, o valor das ações no mercado representou o equivalente a 56% do PIB do país em dezembro de 2004, comparado a 43% no ano anterior.

A participação das pessoas físicas no volume total da Bovespa cresceu de 26,9% no segundo semestre de 2003 para 27,5% no mesmo período do ano passado. “O mercado popularizou-se ainda mais e a Bovespa bateu muitos recordes. Os repasses de dividendos das companhias abertas aos seus acionistas ficaram ainda mais importantes”, afirma Gilberto Mifano, diretor geral da CBLC. Os repasses dos recursos aos investidores são feitos imediatamente após o recebimento dos valores transferidos pelas companhias abertas. Os sistemas da CBLC informam automaticamente os acionistas sobre essas movimentações.


Derivativos e Empréstimo de Ativos (BTC)

O aquecimento da Bolsa também foi sentido no mercado de derivativos. O volume de opções cresceu 26,5%, para R$ 20,5 bilhões. No mercado a termo, a alta foi de 62,9%, para um total de R$ 10,5 bilhões. No Banco de Títulos – BTC, que permite o empréstimo de ações, os negócios aumentaram 96,7%, totalizando R$ 25,9 bilhões. O BTC automático contribuiu para reduzir, em média, 45% das potenciais falhas na liquidação de operações à vista.

O incremento das operações de derivativos resultou na administração de um maior volume de colaterais dos participantes. O volume de garantias depositadas em estoque subiu 30,5%, para R$ 6,6 bilhões. “Medimos os riscos de todos os participantes em tempo real e ajustamos as garantias de acordo com o comportamento do mercado”, diz Francisco Carlos Gomes, diretor de Controle da CBLC. Para isso, os sistemas medem o risco dos portfólios individuais, das corretoras e dos agentes de compensação em cenários de estresse.


Distribuições

O ano de 2004 também marcou a volta das emissões de ações na Bovespa. Sete empresas fizeram sua estréia na Bovespa e captaram, juntas, quase R$ 4,5 bilhões: Natura, Gol, ALL Logística, CPFL Energia, Grendene, Dasa e Porto Seguro. Também recorreram à Bolsa empresas como VCP, CCR, Braskem, Weg, Suzano Petroquímica e Sabesp, entre outras. A CBLC participou ativamente das colocações, viabilizando a distribuição no varejo pelas corretoras, processando os pedidos de reserva e liquidando as operações.

Também foram feitos progressos nas distribuições ao varejo. Na oferta de 28 milhões de ações da Suzano Petroquímica em dezembro, por exemplo, a CBLC introduziu um novo mecanismo de rateio. Em vez de ser proporcional, o rateio passou a ser igualitário e sucessivo, favorecendo o total cumprimento das ordens dos investidores de menor porte. Desta forma, foram evitadas as concentrações nas ordens de compra.

No total, o mercado realizou a captação de R$ 22,7 bilhões em novos recursos em 2004 com a emissão de ações, debêntures, notas promissórias e outros instrumentos. As ações representaram 40,4% desse volume, num total de R$ 9,2 bilhões. “As companhias voltaram a buscar recursos para seus investimentos no mercado de capitais”, comemora Mifano. Estes números foram apresentados pela Bovespa na visita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (veja reportagem Distribuições).

Um sinal importante da democratização da Bolsa foi o crescimento dos clubes de investimento – muitos dos quais contam com o serviço de Back Office da CBLC. O número de clubes registrados na Bovespa passou de 755 em dezembro de 2003 para 1.016 em dezembro de 2004, com a criação de 261 novos clubes e a participação de mais de 107 mil cotistas.


Setor Público

Uma das principais operações envolvendo o setor público no ano passado foi a captação de R$ 600 milhões pelo BNDES, em julho, com o lançamento do primeiro fundo de índice de ações do país, o PIBB (Papéis Índice Brasil Bovespa). A CBLC participou do lançamento do PIBB de várias maneiras, da distribuição à liquidação e à custódia das cotas. Mais de 25 mil investidores de varejo compraram cotas do PIBB.

Em 2004, a CBLC também participou da privatização do Banco do Estado do Maranhão (BEM) e dos leilões de linhas de transmissão de energia elétrica, realizados na Bovespa pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A CBLC teve presença importante em todas as etapas dos leilões, da pré-qualificação dos investidores ao recebimento das garantias dos investidores.


Novos Serviços

Dentre os novos serviços oferecidos pela CBLC ao mercado em 2004, destaca-se o Canal Eletrônico do Investidor (CEI). Desde novembro, os clientes das corretoras podem checar todas as suas posições na Bovespa e na CBLC de forma integrada. Informações sobre títulos em custódia, operações nos mercados de derivativos, ativos depositados em garantia e empréstimos no BTC podem ser vistos pelo CEI.

A CBLC também automatizou, no ano passado, a troca de informações com os agentes de custódia. Tradicionalmente, a comunicação era feita por meio de cartas, fax, e-mails e telefonemas entre as corretoras e os custodiantes. Agora, as informações podem ser repassadas de forma padronizada e eletrônica no ambiente da extranet (www.cblcnet.com.br), o que reduz o risco de erros e de controle ineficiente de posições.


Presença Internacional

No âmbito internacional, a CBLC atuou no projeto de integração das Bolsas do Brasil e do México e marcou presença nos encontros das contrapartes centrais de ativos e das depositárias, promovidos por suas associações globais e regionais, como a CCP-12 e a ACSDA. Também organizou no auditório da Bovespa, em julho, um seminário com o Instituto Internacional pela Unificação do Direito Privado (Unidroit). E, em novembro, participou do evento BEST em Nova York, ajudando a promover o mercado brasileiro no exterior.