14 carteiras já têm cotas negociadas na Soma e na Bovespa
Os 62 fundos de investimento imobiliários do país já acumulam ativos de R$ 2,4 bilhões. Destes, R$ 1,1 bilhão pertence a 17 fundos que tiveram distribuição no mercado de varejo. A liquidez dos fundos imobiliários no mercado secundário é crescente: atualmente, 14 fundos têm cotas negociadas na Bovespa e na Soma, o mercado de balcão organizado. Esses e outros dados importantes do setor foram apresentados na “2ª Reunião Bovespa/Apimec-SP de Fundos Imobiliários”, que reuniu investidores e especialistas no auditório da Bovespa na primeira semana de abril.
O número de negócios com fundos imobiliários cresceu 40,1% em 2004 na Soma e 700,0% na Bovespa. No primeiro caso, subiu de 707 para 991 negócios e, no segundo, de 35 para 280. No primeiro trimestre de 2005, a Soma registrou 304 operações com cotas de fundos imobiliários e a Bovespa, 111. No ano passado, os dois mercados movimentaram R$ 52,6 milhões, volume semelhante ao de 2003 (R$ 52,51 milhões). “O mercado está amadurecendo”, diz Ricardo Pinto Nogueira, superintendente executivo de Operações da Bovespa, que apresentou as estatísticas no evento. Também participaram do encontro Gilberto Mifano, da Bovespa e da CBLC; Lucy Sousa, da Apimec-SP; Romeu Pasquantonio, da Bovespa; Arthur Parkinson, do Secovi-SP; Fernando Ferreira da Silva Telles, da Corretora Coinvalores; e Rodrigo Machado, do Banco Ourinvest.
Na Soma, os fundos imobiliários movimentaram R$ 19,99 milhões em 2004. Os fundos com maior liquidez foram o Edifício Almirante Barroso (98,30% dos negócios e 97,02% do volume financeiro), o Shopping Pátio Higienópolis (1,35% e 1,03%, respectivamente) e o Torre Norte (0,35% e 1,95%).
Na Bovespa, os fundos movimentaram R$ 32,62 milhões. Os fundos com maior participação no volume financeiro foram o Sigma (59,93%) e o Panamby (36,14%). Em número de negócios, a pulverização foi maior: os mais negociados foram Financial Center (43,90%), Europar (24,18%), Continental Square Faria Lima (13,62%), JK Inv. Imob. (9,62%) e ABC Plaza Shopping (5,87%).
O mercado imobiliário no Brasil tem um público muito amplo, observou Arthur Parkinson. “Quase todo mundo faz parte do mercado imobiliário, seja como proprietário, seja como locatário”, afirmou. Para conquistar esses investidores potenciais, os fundos precisam vencer um obstáculo cultural – quando adquire uma cota de fundo imobiliário, o comprador não vê a escritura do imóvel. Mais do que isso, precisam demonstrar adesão aos princípios de governança corporativa do mercado de capitais. “A seriedade é uma condição importante para entrar nesse jogo”, disse Parkinson.
Sérgio Belleza, da Coinvalores, realçou que o produto é imbatível. “Para vender um imóvel, o investidor tem de passar a escritura, pegar assinatura do cônjuge, etc. Para vender cotas de fundo imobiliário, basta pegar o telefone”, afirmou.
O governo também precisa incentivar mais este mercado, defenderam os participantes. Romeu Pasquantonio reiterou o pleito do mercado: a Receita Federal precisa equiparar o tratamento fiscal dos fundos de investimento imobiliários ao recebido pelos certificados de recebíveis imobiliários. Os CRI têm isenção de Imposto de Renda para as pessoas físicas. “Os fundos merecem o mesmo tratamento”, disse.
No evento, representantes da Ourinvest, da Coinvalores, da Brascan, da Rio Bravo e do Unibanco fizeram palestras detalhadas sobre os fundos que administram. Estavam presentes na platéia líderes do mercado imobiliário e consultores, como o ex-ministro do Desenvolvimento, Alcides Lopes Tápias, da Aggrego. “Acompanho este mercado desde o início com muito interesse”, afirmou Tápias.
A íntegra do seminário, em áudio e vídeo, está disponível no site da CBLC (www.cblc.com.br). |