Crescimento do mercado exige atualização permanente dos sistemas e equipamentos
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TI importa? Ou é apenas mais uma commodity, como a energia elétrica? A discussão sobre a importância da Tecnologia da Informação na estratégia das empresas dominou os debates no setor de informática nos últimos dois anos. No mercado acionário brasileiro, a resposta é óbvia: sim, TI importa e pode ser um diferencial competitivo importante. A CBLC tem investido cada vez mais em sistemas e equipamentos para manter a qualidade dos serviços de liquidação e custódia diante do crescimento expressivo e constante da Bolsa.
Somente em 2004, a CBLC investiu R$ 3,2 milhões em TI, o equivalente a 4,1% das receitas operacionais e a 12% do lucro líquido da empresa, segundo Luiz Gonzaga de Oliveira Simões, diretor de Informática da Bovespa. Nos últimos três anos, os investimentos da CBLC em TI destinaram-se à compra de servidores, à aquisição e ao desenvolvimento de programas e à infra-estrutura para a rede de dados. “Temos de acompanhar o crescimento da quantidade de negócios e transações pelas corretoras, agentes de compensação e agentes de custódia”, diz Gonzaga.
A média diária de negócios na Bovespa cresceu substancialmente e chegou a 70 mil em fevereiro. Em 2004, a média foi de 53,8 mil negócios diários e, há dois anos, não chegava a 40 mil. A entrada de novas pessoas físicas e clubes de investimento na Bolsa por conta do processo de popularização aumentou ainda mais a importância de bons sistemas. “Cresceu o número de transações de menor valor unitário. Temos prestado mais serviços sem o crescimento proporcional do volume financeiro”, lembra Gonzaga.
A CBLC trata todos os negócios realizados na Bovespa. A quantidade de transações na CBLC é um múltiplo das operações na Bolsa, pois cada uma delas gera inúmeras transações para sua liquidação, custódia e controle de risco. O desafio da CBLC é estar preparada não só para o aumento da quantidade média de negócios diários na Bolsa, mas também para os dias de pico, em que os recordes históricos são ameaçados ou quebrados.
Em 31 de março passado, por exemplo, a Bovespa encerrou o pregão com recorde de volume financeiro: R$ 5,292 bilhões, num total de 57.569 negócios. Os números incluem o registro das operações da Oferta Pública de Aquisição de ações ordinárias da Ambev, realizada no dia 29/03, que movimentou R$ 3,716 bilhões.
A quebra de recordes tem sido uma constante. Seis dos 11 recordes históricos da Bolsa foram quebrados desde setembro de 2004. Em dezembro, foi quebrado o recorde de negócios num dia: mais de 120.000. Somente no primeiro trimestre de 2005, foram batidos os recordes de volume no mercado à vista (R$ 3,7 bilhões em 16 de fevereiro), pontos do Ibovespa (29.455 pontos em 7 de março) e volume total (R$ 5,3 bilhões em 31 de março).
A área de Informática da Bovespa, que presta serviços de TI para a CBLC, tem cerca de 160 funcionários próprios e 100 terceirizados. O desenvolvimento de sistemas para a CBLC envolve mais de 100 pessoas. Não é para menos: os sistemas que dão suporte aos produtos da CBLC – processados em equipamentos mainframe IBM e em plataforma Microsoft – somam um número aproximado de 10.000 programas e mais de 10.000.000 de linhas de código, diz Gonzaga. A maior parte dos sistemas é desenvolvida internamente. A exceção mais relevante é o sistema de gerenciamento de risco RiskWatch, adquirido da empresa canadense Algorithmics. |