Receba o FOCO! em seu e-mail
 
CSD8
Brasil está no estado-da-arte
Infra-estrutura do mercado brasileiro é exemplar, diz CVM

Sérgio Weguelin: CVM, BC e o Tesouro vão trabalhar em conjunto para simplificar processos
O diretor da Comissão de Valores Mobiliários Sérgio Weguelin participou da 8ª Conferência das Depositárias Centrais de Ativos (CSD8), em Nova York, no final de abril. Em entrevista ao Foco!, Weguelin comentou os aspectos mais importantes da conferência e relatou as principais demandas dos investidores internacionais no evento Best, em Londres, no dia 11 de maio.

Qual foi sua impressão da CSD8?
O encontro me surpreendeu pela grandeza: tinha gente de todos os continentes. Todo mundo estava representado. Essa discussão (sobre as atividades das depositárias centrais) é parte de um processo que começou há 20 anos. A partir de uma crise sistêmica na década de 80, o mercado acordou para o risco sistêmico, para a integração dos mercados. A palavra mais usada na CSD8 foi harmonização. Harmonização das práticas dos mercados, a criação de padrões. Não adianta ter uma cadeia com um elo fraco, pois esse elo transmite insegurança para toda a cadeia.

O Best mostrou aos investidores que o Brasil tem um sistema excelente de retaguarda
Quais as práticas que deveriam ser harmonizadas?
Uma das idéias para diminuir o risco das operações é adotar o straight through processing , em que tudo é feito por sistemas e com a menor interferência humana possível. Para fazer isso, todos os mercados têm de ter padrões de comunicação de sistemas. Quando um investidor estrangeiro compra um papel no Brasil, o processo começa com uma corretora estrangeira, que se comunica com uma brasileira, que se comunica com a CBLC, etc. Todos os sistemas têm de estar integrados, têm de seguir protocolos de comunicação, se entender. Existem questões como cronogramas e janelas de liquidação. Os procedimentos têm de permitir o máximo de fluxo de informações entre os mercados. Há questões de entendimento jurídico. O leque de temas é gigantesco.

Como o mercado brasileiro está situado nesse debate?
O Brasil está muito bem. Na parte da infra-estrutura, está muito avançado. A CSD8 mostrou às instituições depositárias e o projeto Best mostrou aos investidores que o Brasil tem um sistema excelente de retaguarda. O back office dos investimentos é muito bom, bem como o sistema de pagamentos, a regulação. O fato de a CBLC ser uma das organizadoras da CSD8 mostra que o país está na frente, tem uma credibilidade fantástica. No Best, a Bovespa, a CBLC e a BM&F mostraram seus sistemas de gestão de risco. Toda a parte de processamento de ordens foi muito bem colocada pela CBLC para o público investidor. O Brasil se adequou perfeitamente às recomendações dos reguladores e das instituições privadas. As agências de rating Thomas Murray (Inglaterra) e Wilshire (Estados Unidos) colocam o Brasil numa situação muito boa. Na parte de sistema de pagamentos, o mercado brasileiro é o estado-da-arte no mundo. O Citibank, que é contraparte de muitos clientes em todo o mundo, fez um levantamento de 117 países e jurisdições e colocou o Brasil como o mais avançado nessa área. Isso se complementa com o estado-da-arte na gestão de risco pela CBLC. Há muitos indicadores de risco de que o Brasil está muito bem situado e consegue operar em situações de estresse muito agudas. Isso dá muita segurança ao investidor.

Qual é o papel da CVM nesse debate?
O regulador acompanha os auto-regulados, as bolsas, as depositárias e os custodiantes. Temos de entender o que está acontecendo e trabalhar com reguladores dos outros países para harmonizar as práticas, reduzir o risco sistêmico e dar segurança e transparência aos investidores.

Quais foram as principais demandas dos investidores no Best?
Um dos temas mais recorrentes é a questão tributária. Sempre há reclamação, o pessoal gostaria de ter menos impostos, a meta é sempre zero de impostos. Há também questões de procedimentos que poderíamos simplificar. Nós nos comprometemos com os investidores a avaliar todas as questões apresentadas. O BC, a CVM e o Tesouro vão trabalhar em conjunto para identificar todos os processos, tentar simplificá-los e tirar qualquer entrave que esteja atrapalhando a vida dos investidores. Uma reclamação é que o registro de investidor estrangeiro na CVM é obtido imediatamente, mas o CNPJ demora um mês. Uma das alternativas que pensamos – e ainda não combinamos nada com a Receita – é o investidor sem CNPJ usar eventualmente o registro na CVM como número provisório. O investidor quer mandar US$ 10 milhões para o Brasil e vê uma janela de oportunidade, mas não pode esperar um mês. Se demorar, ele muda de idéia, olha para a China. Não podemos ficar presos na burocracia. Algumas questões são burocráticas, outras são mais de governo, como simplificar procedimentos de CPMF. Se o custodiante tem de ter um back office complicado e precisa de um sistema para operar no Brasil, ele pode até desestimular o investidor.

Na questão tributária, houve compromisso com os investidores?
A idéia é chamar a Receita para que participe como observadora do próximo Best, na Ásia. É importante que (a Receita) veja o que aflige o conjunto de investidores.

BEST EM LONDRES - O segundo evento do projeto BEST, sigla de Brazil: Excellence in Securities Transactions, reuniu cerca de 200 investidores em Londres, no dia 11 de maio. Além da Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central, o governo brasileiro foi representado pelo Tesouro Nacional. O secretário Joaquim Levy (foto) fez a abertura do encontro, criado em 2004 pela CBLC, pela Bovespa e pela BM&F para aumentar a confiança dos investidores estrangeiros na infra-estrutura jurídica e tecnológica do mercado financeiro brasileiro. Pela CVM, fez palestra o diretor Sérgio Weguelin (veja entrevista ao lado). Pelo BC, Rodrigo Telles da Rocha Azevedo. A visão do mercado foi transmitida por Amarílis Sardenberg (CBLC) e Cristiana Pereira (Bovespa). O próximo Best ocorrerá na Ásia, ainda em 2005.