Lançamentos de ações chegam a R$ 4,1 bilhões até junho
 |
| Rebello, da CVM: maior preocupação do mercado em atender os pequenos invetidores. |
Os profissionais do mercado de capitais tiveram bons motivos para comemorar o primeiro semestre deste ano. O mercado mostrou-se tão ativo como no segundo semestre de 2004 e o ritmo das ofertas de ações esteve bastante acelerado, apesar do ambiente econômico marcado por altas taxas de juros. Nove empresas foram objeto de ofertas primárias ou secundárias nos primeiros seis meses de 2005: Unibanco, Gol, Renar, ALL, Submarino, Ultrapar, Localiza, TAM e AES Tietê. Destas, três fizeram sua estréia na Bovespa: Renar, Submarino e Localiza.
Em termos de volume, essas ofertas representaram cerca de R$ 4,1 bilhões. No mesmo período do ano passado – que foi marcado pela reabertura da possibilidade de as empresas captarem recursos por meio do lançamento de ações –, quatro novas ofertas chegaram ao mercado, o que representou uma captação de R$ 1,7 bilhão. No segundo semestre de 2004, as 12 ofertas totalizaram R$ 4,7 bilhões. Ao lado das empresas, corretoras, bancos e da Bovespa, a CBLC desempenhou um papel fundamental para que o mercado brasileiro pudesse ser irrigado com mais ações, contribuindo para identificar soluções que viabilizassem os planos dos ofertantes.
Todas as ofertas recentes incluíram lotes de ações para os investidores de varejo (em torno de 10% a 15% do total). Carlos Alberto Rebello Sobrinho, superintendente de Registro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nota que atualmente existe uma preocupação maior, por parte de empresas e bancos que estruturam as operações, de atender bem esses investidores. Isso pode ser visto pelos critérios usados para o rateio de ações quando a demanda pelos papéis é superior à oferta. Se, antes, as ações pedidas por esses aplicadores eram rateadas de forma linear, em proporções iguais para todos, agora os ofertantes estão encontrando soluções para que as ações pedidas pelos pequenos compradores sejam rateadas somente entre eles.
O aquecimento do mercado propicia condições para que uma operação inédita no Brasil seja feita: a venda pulverizada do controle das Lojas Renner, que teve início ainda em junho e será encerrada em julho. Rebello acredita que, se a operação for bem-sucedida, deve abrir caminho para que novas companhias façam operações semelhantes.
E agora que o primeiro semestre praticamente já se encerrou, o que o mercado pode esperar da segunda metade do ano? O advogado José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio do escritório Mattos Filho, diz que algumas companhias estão mostrando interesse em acessar o mercado por meio da Bolsa e que novas ofertas devem vir. “Mas o momento adequado para isso será dado pelas condições do mercado”, afirma. Para Rebello, seria de se esperar que nos meses de julho e agosto o ritmo das ofertas arrefeça um pouco por conta das férias no hemisfério norte. “Mas em setembro novas colocações de ações podem acontecer”, prevê. |