Mais de 128 mil investidores participaram das emissões primárias
e secundárias de 28 companhias e a CBLC prestou serviços em todas
as operações
O mercado de ações voltou a ser um instrumento importante
de captação de recursos para as empresas brasileiras nos últimos
dois anos. De janeiro de 2004 a novembro de 2005, foram realizadas 31
ofertas de ações. Juntas, as 28 empresas envolvidas colocaram
papéis no valor de R$ 21,2 bilhões. Desse total, R$ 7,5
bilhões (35,6%) foram captados em ofertas primárias por
18 companhias, ou seja, com a emissão de novas ações.
As ofertas secundárias somaram R$ 13,7 bilhões.
São números expressivos, especialmente quando se considera
que o Brasil praticou, no mesmo período, um dos juros mais altos
do mundo, o que torna mais difícil atrair investidores, pois juros
elevados aumentam a atratividade das aplicações de renda
fixa. Diante desse quadro, as empresas passaram a oferecer maior transparência
e rígidos padrões de governança corporativa. Das
28 companhias que ofertaram ações desde janeiro de 2004,
17 (60,7%) o fizeram no Novo Mercado e cinco (14,3%), no Nível
2 de Governança Corporativa. Nesses ambientes especiais de negociação,
as empresas listadas oferecem maior direito de voto aos acionistas minoritários,
entre outras vantagens.
No ano de 2005, dez empresas
ingressaram no Novo Mercado: Cosan, Banco Nossa Caixa, Cyrela, OHL, Energias
do Brasil (EDP), Lojas Renner, Localiza, Submarino, Renar Maçãs e Tractebel Energia. Em 2004, sete
companhias haviam ingressado nesse ambiente: Porto Seguro, Dasa, Sabesp,
Grendene, CPFL Energia, Natura e CCR. Nesses dois anos, fizeram ofertas
no Nível 2 a ALL Logística, a Suzano Petroquímica,
a Gol, a Tam e o UOL. Também acessaram o mercado a Weg, a Brasken,
o Unibanco, a Ultrapar, a AES Tietê e a Bradespar (veja quadro “Empresas
voltam à Bolsa”).
A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia
(CBLC) participou ativamente de todas as operações, oferecendo
serviços de processamento dos pedidos de reserva, rateio, liquidação
financeira e custódia.
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Estrangeiros |
Estrangeiros |
Reserva
média |
Institucionais* |
Institucionais* |
Alocação
média |
Varejo |
Varejo |
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Pulverização – Uma característica importante das
recentes emissões de ações tem sido a pulverização
das distribuições. A maior parte das empresas abertas reservou
uma parcela das ofertas para os investidores de varejo. Do total emitido
desde 2004, R$ 1,6 bilhão foi alocado a esse público. A
fatia do varejo nas ofertas ficou em 11,7%, em média, comparada
a 21,7% dos institucionais residentes no Brasil e 66,7% dos estrangeiros.
Já em número de investidores, 116.023 vieram do varejo.
Ao todo, 128.822 investidores individuais e institucionais
participaram das ofertas.
A Bovespa tem estimulado a
popularização das emissões,
por meio de diversas iniciativas, como o Programa Bovespa Vai Até Você.
A CBLC também apóia a pulverização, facilitando
a participação das corretoras nas emissões, através
de pool de distribuição.
Se dependesse dos próprios investidores e do trabalho das corretoras,
o varejo teria uma participação muito maior. Em geral,
a demanda desses investidores pelas ações não foi
completamente atendida. Em média, os pedidos de reserva do varejo – investidores
que aplicaram diretamente ou por meio de clubes de investimento – ficaram
em R$ 45.439,71 por investidor, mas a alocação final foi
de R$ 25.109,08. Como a demanda do varejo superou as ofertas, houve rateio
das emissões. Nas últimas ofertas de 2005, menos do que
10% da demanda dos investidores de varejo foi atendida.
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Outro indicador importante da popularização do mercado
acionário nos últimos dois anos foi a demanda pelo fundo
de Papéis Índice Brasil Bovespa, o PIBB. Lançado
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
o PIBB fez uma captação de R$ 600 milhões em julho
de 2004 e outra de R$ 2,3 bilhões, em setembro de 2005. Da primeira
emissão de cotas, o varejo absorveu R$ 303 milhões, com
a adesão de 25,3 mil investidores. Na segunda, 69,3% foram para
o varejo, com a participação de 121,5 mil investidores.
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