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CAPA

Um Radar para a custódia

Sistema inova o tratamento das informações dos eventos de ações e de ativos de renda fixa

Empresas voltam à Bolsa
Os agentes de custódia da CBLC contam, desde o dia 23 de janeiro, com uma importante ferramenta que irá facilitar o trabalho de suas áreas de back office. Trata-se do Radar, um sistema de informações e cálculo de eventos de custódia ainda sem precedentes. O Radar permite a pesquisa de todos os eventos de custódia, tais como dividendos, juros sobre capital próprio, bonificações, amortizações, resgates, direito de retirada, subscrições, cisões, incorporações e, ainda, grupamentos e desdobramentos de ações aprovados pelas companhias emissoras desde 1997.

Com o sistema, o agente de custódia poderá simular o cálculo dos eventos a partir de uma data e quantidade original de ações. O agente informa a quantidade original de ações da Telebrás, por exemplo, em uma data do passado e o Radar demonstra, de forma analítica ou consolidada, todos os eventos em dinheiro e em ativos ocorridos, inclusive os resultantes de suas reorganizações societárias.

O sistema entrou em operação em uma fase bastante propícia, pois os eventos de custódia – principalmente a distribuição de dividendos – vêm crescendo no Brasil. “O Radar vai facilitar o processo de aumento dos investimentos em renda variável, que deve ganhar ainda mais força neste ano por conta da esperada queda nas taxas de juro”, afirma Rubens Bachiega, gerente de Liquidação e Custódia do Banco Itaú.

Outra funcionalidade importante do Radar é o acompanhamento de todo o ciclo dos eventos de custódia de ações e de títulos de renda fixa. Esse ciclo do evento compreende o período entre a aprovação e a liquidação do evento de custódia. O sistema informa de forma pró-ativa todas as alterações definidas pelos emissores durante o ciclo do evento, como alterações de valores e divulgação da data de previsão de pagamento.

Atualização de carteiras – A centralização das informações no Radar deverá reduzir a incidência de erros operacionais e atrasos e ainda oferecer outras vantagens para os participantes: “O Radar irá proporcionar agilidade e redução de custos, além de servir como um instrumento para análise e tomada de decisão”, diz Leandro Alves de Souza, gerente de Custódia da CBLC.

Um dos trabalhos que certamente se tornará mais ágil é o de atualização das carteiras dos clientes, conduzido pelas áreas de back office dos agentes de custódia. As informações divulgadas pelas empresas serão colocadas no Radar e enviadas para os usuários por meio de mensagens do tipo XML. O sistema de mensageria estará disponível em abril, quando termina a primeira fase de implantação do Radar.

Em uma segunda etapa, a CBLC coletará a opinião dos usuários sobre o novo sistema e desenvolverá novas funcionalidades de acordo com as necessidades e demandas dos agentes de custódia. A consulta de eventos de custódia de cada emissor é muito importante para os investidores e os tomadores de decisão. “Os clientes costumam perguntar bastante sobre o histórico do pagamento de proventos das empresas. Com o Radar, poderemos fornecer essas informações de forma mais ágil”, diz Nelson Spinelli Neto, diretor da corretora Spinelli.

O Radar permite também consultas por tipo de evento, por datas de aprovação e pagamento. Outra funcionalidade é o alerta aos participantes sobre novos eventos, prazos de exercícios de eventos de custódia voluntários, que dependem de manifestação dos investidores, como subscrição e direito de retirada.

Atualmente, nos principais mercados internacionais, também se discute a necessidade de padronizar e centralizar as informações dos eventos de custódia. Nas décadas de 80 e 90, os temas mais discutidos no mercado financeiro referiam-se aos sistemas de pagamentos, à liquidação e à estrutura e riscos das contrapartes centrais.

Com a evolução desses tópicos, aumentou o interesse pelos eventos corporativos. A procura pelos eventos de custódia foi redobrada porque os valores pagos pelas empresas tornaram-se mais relevantes e os participantes do mercado começaram a perceber a quantidade de problemas ocasionados pela falta de padronização.

“O Radar surgiu não só da necessidade de padronizar a divulgação dos eventos de custódia e informá-los em tempo real, mas também para alinhar as práticas da CBLC às melhores práticas do mercado internacional”, afirma Luiz Felipe Paiva, supervisor de Processos de Custódia da CBLC.

Para desenvolver o Radar, a CBLC estudou as melhores práticas e participou das discussões e trabalhos realizados pelas associações de centrais depositárias de outros países e organismos internacionais.