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Gestão de Riscos
CBLC possui melhores práticas
Captura de dados, mensuração em tempo real e administração de colaterais são destaques

A necessidade de elevar os padrões de gerenciamento de riscos e a importância de consolidar as melhores práticas nessa área deram a tônica das discussões realizadas na conferência anual sobre riscos promovida pela empresa Algorithimcs. Ocorrido em maio, no Canadá, o seminário contou com a presença de cerca de 130 profissionais de instituições financeiras e clearings das Américas, Europa e Ásia.

Como a gestão de riscos é um tema relativamente novo no campo das finanças, o estabelecimento dessas práticas atrai bastante atenção. Foram especialmente discutidas questões relacionadas à mensuração de risco em tempo real, à captura fidedigna de dados referentes a preços de ativos, negócios realizados e outras variáveis de mercado, bem como a administração de colaterais.

Wagner Anacleto, gerente de Riscos da CBLC, participou da conferência. “A CBLC está em linha com as melhores práticas mundiais” afirma.

A CBLC realiza em tempo real o cálculo de risco para as operações que compõem o ciclo de liquidação (operações a liquidar em até D+3). Esses riscos são mensurados com base em cenários históricos, dos últimos 252 dias úteis, e são confrontados com o limite operacional estabelecido aos participantes de negociação e investidores qualificados.

Diariamente, após o fechamento do mercado, é feito um novo cálculo que leva em conta cenários de estresse, em que são utilizados dados relativos ao comportamento das principais variáveis de mercado durante as crises passadas para estimar o que poderia ocorrer com as posições em aberto, caso esses eventos se repetissem. Esse procedimento, que na CBLC é realizado diariamente, ocorre em várias clearings em bases mensais, semestrais ou até anuais.

Para cobertura dos riscos em cenários de estresse, a CBLC constituiu um fundo de liquidação cujo montante deve ser suficiente para cobrir, no mínimo, os riscos associados às posições das duas maiores exposições de seus agentes de compensação.

Na administração das garantias depositadas, a CBLC utiliza um sistema proprietário que realiza a marcação a mercado dos colaterais depositados e aplica, quando for o caso, deságio sobre esses ativos. Os agentes de compensação e sociedades corretoras têm acesso em tempo real ao sistema.

Já dificuldade de capturar dados sobre preços de ativos e negócios fechados – que foi um dos tópicos do evento – não se aplica à CBLC, que acessa diretamente da Bovespa boa parte dos dados. Alguns destes vêm de um provedor externo que possui aplicativos para calcular os preços e a volatilidade desses ativos.

“Atualmente, nosso principal desafio é contribuir para introdução de novos produtos no mercado derivativo de ações e instrumentos de renda fixa privada. Esses novos produtos são mais complexos que os instrumentos derivativos hoje negociados no mercado de Bolsa, o que demandará da CBLC novos procedimentos para a precisa mensuração dos seus riscos”, diz Anacleto.