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Mercado colhe frutos da divulgação do Brasil no exterior
BEST consolida-se como um importante meio para atrair investidores estrangeiros

Investidores e profissionais assistem a palestras de Amarílis Sardenberg (CBLC) e Gilberto Mifano (BOVESPA) em Londres
O BEST – Brazil: Excellence in Securities Transactions contribuiu de forma significativa para a percepção, por parte da comunidade internacional de investidores, de que o Brasil é um centro de excelência em infra-estrutura do mercado financeiro e de capitais. O evento chegou à sua sexta edição com várias conquistas e resultados concretos.

A divulgação do mercado brasileiro no exterior, aliada ao forte interesse pelos países emergentes, tornou viável a atração de recursos para investimento em portfólio nos últimos dois anos – seja para os títulos públicos, para a compra de ações na Bolsa ou para a participação em ofertas públicas iniciais.

“A entrada de recursos por parte de investidores estrangeiros depende de oportunidades de ganho em nosso mercado, mas também está relacionada à nossa infra-estrutura. O fato de a CBLC ser reconhecida como uma central depositária que adota as melhores práticas internacionais também contribuiu para isso”, diz Amarílis Sardenberg, diretora de Operações da CBLC.

O esforço de divulgação no exterior fez com que o Brasil melhorasse a sua posição em relação a outros países emergentes. “O desempenho do nosso mercado não teria sido tão bom sem esse esforço institucional, mesmo considerando a grande liquidez existente no mundo”, afirma Cristiana Pereira, assessora de Relações Internacionais da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

O BEST é uma iniciativa da CBLC, da Bovespa, da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Ele conta com o apoio de órgãos públicos como o Tesouro Nacional (TN), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (BC).

A idéia de criar um evento para difundir no exterior as melhorias da infra-estrutura dos nossos mercados partiu de um dos conselheiros da CBLC, Pedro Guerra. Ele constatou, por meio do contato com investidores estrangeiros, que estes não estavam a par dos aprimoramentos do mercado brasileiro nos últimos anos, e que ainda guardavam uma impressão de que investir no País era algo complicado.

A CBLC, a Bovespa e a BM&F decidiram então criar um canal de comunicação permanente com os investidores das principais praças do mundo para mostrar que nossa infra-estrutura era compatível com a dos mercados mais desenvolvidos. As primeiras apresentações do BEST giraram em torno de assuntos como o Sistema de Pagamentos Brasileiro, as regras para liquidação das operações em Bolsa, o sistema eletrônico de negociação da Bovespa e a estrutura do mercado de capitais brasileiro.

Da esq. para a dir.: Sergio Weguelin (CVM), Carlos Kawall (Tesouro Nacional) e Rodrigo Azevedo (Banco Central)

Macroeconomia – Com o tempo, o evento incluiu também temas macroeconômicos. A política monetária foi abordada por parte de Rodrigo Azevedo, diretor de política monetária do BC, e o compromisso do governo com a estabilidade de regras e a trajetória da dívida pública foram assuntos de palestras do antigo secretário do Tesouro Nacional Joaquim Levy, e do atual secretário, Carlos Kawall.

O BEST está em sua sexta edição. Na primeira, realizada em novembro de 2004, foi visitada a praça de Nova York. Depois foi a vez de Londres, em maio de 2005, e novamente Nova York (em novembro). A quarta edição ocorreu em Hong Kong e Cingapura, em dezembro de 2005, e na quinta foram feitas apresentações em Londres e Frankfurt (abril de 2006). Na sexta edição, o evento voltou a Nova York e foi pela primeira vez a São Francisco (em 20 e 21 de junho, respectivamente). Ao todo, foram feitas nove apresentações.

BEST propicia melhorias
Nos últimos anos, foram feitos vários avanços na infra-estrutura e regulamentação dos mercados de capitais e financeiro do Brasil. Dentre eles, estão a mudança na legislação para investimentos estrangeiros em portfólio, os níveis diferenciados de governança corporativa, a nova Lei das Sociedades Anônimas, a isenção da CPMF nas transações feitas em Bolsa e nas ofertas públicas iniciais, e o novo Sistema de Pagamentos Brasileiro.

O BEST contribuiu para a divulgação dessas mudanças e também atuou para concretizar melhorias. Uma delas foi a facilitação dos procedimentos para os investidores estrangeiros obterem um CNPJ para operar no Brasil. Embora esses conseguissem em apenas 24 horas um número de registro para atuar, na prática isso não era possível. Também é necessário obter um CNPJ, procedimento que não tinha prazos estabelecidos.

Essa dificuldade foi identificada durante uma apresentação do BEST e encaminhada para a Receita Federal, que mudou seus procedimentos e hoje concede o CNPJ para estrangeiros em apenas 24 horas.

Outro trabalho que deu bons resultados foi a melhora do Brasil em rankings utilizados por investidores institucionais e índices voltados para mercados emergentes. Isso foi possível graças ao envio de informações atualizadas sobre o nosso mercado para essas instituições.