Receba o FOCO! em seu e-mail
 
Capa
Para guardar na memória
Ofertas públicas de ações registram recorde no primeiro semestre

Um semestre para ser guardado na memória. Assim foi o início deste ano para o mercado acionário brasileiro, que bateu o recorde de ofertas públicas de ações, registrou o aumento do número de empresas que o acessaram e, de quebra, o crescimento da captação de recursos com a finalidade de financiar a atividade produtiva. Além disso, o valor médio de cada operação reduziu-se e novas pessoas físicas ingressaram na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Apenas nos primeiros seis meses deste ano, o volume de ofertas públicas de ações já superou o de 2005 inteiro. Ao todo, as empresas captaram R$ 14,3 bilhões, o que representa 2,4% a mais que os R$ 13,9 bilhões do ano passado.

O número de companhias que acessaram o mercado também foi maior que o de 2005. Vinte e duas empresas captaram recursos por meio da oferta pública de ações, o que representou um valor médio de R$ 651,49 milhões por oferta. No ano passado, quando 19 companhias ofertaram ações, o volume médio foi da ordem de R$ 733,5 milhões.

clique na imagem para ampliar
Outro fato marcante do semestre foi o recorde de ofertas públicas iniciais (IPOs), que ocorreu se for considerado tanto em termos absolutos quanto em termos relativos. Ao todo, 12 empresas ofereceram ações ao público pela primeira vez – o que representou 54% do total de ofertas públicas. Chegaram à Bovespa os papéis das seguintes empresas: Copasa, Vivax, Gafisa, Company, Totvs, Equatorial, Abnote, CSU, BrasilAgro, Lupatech, GP Investments e Datasul. Em 2005, ocorreram nove IPOs, que tiveram participação de 47%.

Governança Corporativa – A consolidação dos níveis diferenciados de governança corporativa da Bovespa tornou-se evidente nesse semestre. Pela primeira vez desde a criação desses segmentos especiais, que ocorreu em 2000, o valor de mercado das companhias neles listadas correspondeu a mais da metade do valor de mercado da Bolsa. As 78 empresas dos níveis diferenciados representaram 53% do valor de mercado e 54% do volume financeiro negociado no período.

A maioria das emissões da primeira metade do ano ocorreu nos níveis diferenciados. O Novo Mercado (NM) foi o escolhido por 14 empresas; o Nível 2 (N2), por quatro; e o Nível 1 (N1), por três. O segmento tradicional recebeu uma nova companhia. Em 2005, dez empresas optaram pelo NM, quatro pelo N2, três pelo N1 e duas pela listagem tradicional.

O período foi marcado ainda pelo aumento das ofertas primárias e diminuição das secundárias. O acréscimo das emissões de novas ações foi da ordem de 36,8% (de R$ 4,3 bilhões em 2005 para R$ 5,9 bilhões até junho deste ano). As ofertas de papéis que já existiam, por sua vez, caíram 12,5%, de R$ 9,59 bilhões para R$ 8,39 bilhões. As ofertas primárias representaram 31% de todo o volume das ações que chegaram a mercado em 2005. Já no primeiro semestre de 2006, elas corresponderam a 41,6%.

A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) participou de forma ativa em todas as ofertas do primeiro semestre: processou os pedidos de reserva de ações, efetuou rateios nos casos em que a demanda superou a oferta e liquidou as operações.

Novos investidores, especialmente pessoas físicas, ingressaram no mercado acionário para participar das ofertas do período. Muitos outros aplicadores, que já haviam investido em ações mas não operavam na Bolsa de forma ativa, voltaram a atuar – o que reativou suas contas de custódia. Ao todo, cerca de 71 mil investidores compraram ações pela primeira vez ou reativaram suas contas.

clique na imagem para ampliar
No fim de 2005, havia cerca de 166 mil investidores com contas ativas (com saldo) na CBLC. Desse total, aproximadamente 155 mil eram de varejo e os 11,5 mil restantes eram pessoas jurídicas. Esses números já contabilizam a significativa entrada de aplicadores que decorreu da oferta do PIBB – Papéis Índice Brasil Bovespa, fundo lançado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e destinado aos pequenos poupadores. A liquidação da segunda tranche ofertada do PIBB ocorreu em outubro do ano passado. Em junho de 2006, eram 237 mil os investidores com contas ativas na CBLC, sendo 224 mil pessoas físicas.