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O mundo de olho nos eventos corporativos
Tendências do mercado de liquidação e custódia são discutidas em seminário da ACSDA

Don Linford, do J. P. Morgan, sugeriu que as centrais depositárias promovam avaliações dos emissores
Os eventos de custódia atraem cada vez mais atenção dos profissionais do mercado de capitais. Embora já exista um consenso sobre as características desejáveis desses eventos, a implementação de práticas adequadas tem se mostrado um desafio ao redor do globo. Os problemas referentes aos eventos de custódia ou corporativos, e as soluções para saná-los, foram um dos temas discutidos durante o 7 o . Seminário Internacional da Americas' Central Securities Depository Association (ACSDA), realizado em São Paulo no início de novembro.

Durante três dias, representantes das 23 empresas de custódia e compensação de países-membro da ACSDA discutiram assuntos como as tendências mundiais dos mercados de liquidação e custódia. A ACSDA é formada por companhias das Américas e da África do Sul. Juntas, elas detêm cerca de US$ 35 trilhões sob custódia. A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) organizou o seminário.

Os participantes dos dois painéis sobre eventos corporativos consideraram que esses devem ser padronizados, divulgados de forma precisa e dentro dos prazos, por meios eletrônicos e com pouca interferência humana. Exemplos de eventos são o pagamento de dividendos e de juros sobre capital próprio, as bonificações, os direitos de retirada e de preferência, as subscrições e cisões de ações.

O ciclo de um evento começa com o seu anúncio. O problema é que na maioria dos países a divulgação ocorre de forma despadronizada, descentralizada e com grande interferência manual. A comunicação é feita por cartas, por fax e anúncios em jornais.

Luiz Felipe Paiva, gerente de custódia da CBLC, explicou a importância do assunto: os eventos geram impactos sobre os preços dos ativos e podem levar a decisões de investimento equivocadas. Além disso, afetam vários investidores simultaneamente e implicam em riscos para as empresas que estão na cadeia de divulgação de informações.

“Os eventos corporativos tornaram-se mais complexos, e os clientes demandam relatórios mais sofisticados a custos inferiores”, afirmou Leandro Alves de Souza, gerente de custódia internacional do HSBC. Para fazer face a essa nova realidade, Souza considera que é necessário desenvolver a infra-estrutura, conscientizar os emissores da importância de divulgar informações de forma transparente, precisa, padronizada e simultânea em várias canais.

John Falk, gerente de infra-estrutura de mercado da SWIFT, enfatizou a importância da padronização simultânea de todos os mercados - o que, em sua opinião, só é possível se não houver acordos bilaterais entre contrapartes. Esses seriam uma solução parcial, e não global, para o problema.

Para o vice-presidente do J P Morgan, Don Linford, a realização de avaliações dos emissores pode ser um meio eficaz para aprimorar a divulgação dos eventos: “A automação não resolve o problema, que é comportamental”. Por isso, ele acredita que o uso de uma ferramenta como o scorecard, que estabelece padrões para medir o desempenho de provedores de serviços, seria um passo importante.

O tratamento dado aos eventos de custódia ainda é bastante desigual ao redor do globo. A Europa é o continente mais avançado, mas ainda tem um longo caminho a percorrer: “Muita coisa ainda caminha devagar, pois depende dos governos”, disse Urs Staehli, membro do Comitê Executivo da International Systems Security Association (ISSA). Lá, seis associações comandam o processo de harmonização do processamento dos eventos corporativos.